Historiadores encontram blocos do Farol de Alexandria — e tentam construir réplica digital
Após 1.600 anos submersos, blocos gigantes do lendário Farol de Alexandria voltaram à superfície. A operação foi conduzida por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), que trabalham para estudar as peças e tentar reconstruir digitalmente uma das maiores obras de engenharia do mundo antigo.
Considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, o Farol de Alexandria foi erguido na Ilha de Faros, no Egito, para orientar navios e marcar a entrada do porto da cidade. Estimativas apontam que a torre tinha entre 120 e 137 metros de altura, o que a tornava uma das estruturas mais altas da Antiguidade — superada apenas pelas pirâmides.
A construção, no entanto, não resistiu ao tempo. Uma série de terremotos entre os anos de 956 e 1323 acabou destruindo a estrutura, fazendo com que grande parte do monumento desmoronasse e caísse no mar.
Agora, equipes de arqueólogos e engenheiros conseguiram retirar alguns desses fragmentos do fundo do Mediterrâneo. A expedição, liderada pela arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, recuperou enormes blocos de granito e calcário que chegam a pesar até 77 toneladas.
Segundo as primeiras análises, as peças podem ter pertencido à entrada monumental do farol. O estudo dos blocos também indica que a obra combinava tradições arquitetônicas egípcias com técnicas de construção gregas, revelando a mistura cultural presente no projeto.
Uma reconstrução em 3D do Farol de Alexandria
Após serem retiradas do mar, as peças foram fotografadas de diversos ângulos para permitir uma análise detalhada. Com o uso da fotogrametria — técnica que cria modelos tridimensionais a partir de imagens — os pesquisadores conseguiram mapear a forma exata de cada bloco.
Com essas informações, engenheiros começaram a montar uma réplica digital em 3D do Farol de Alexandria. O modelo permite testar diferentes hipóteses sobre como as pedras eram encaixadas e de que forma a torre era sustentada.
A simulação também pode ajudar os cientistas a entender quais terremotos foram responsáveis pela destruição da estrutura e como os impactos afetaram a estabilidade da construção.
Ainda assim, a reconstrução completa do farol continua sendo um desafio. Muitas partes da estrutura podem nunca ser encontradas, o que significa que algumas características da torre permanecerão incertas.
Mesmo assim, um modelo digital detalhado pode oferecer ao público uma visão inédita da escala do monumento. A tecnologia também pode permitir experiências virtuais em que visitantes exploram o farol e aprendem sobre a engenharia que sustentou uma das maiores construções da Antiguidade.
Novos mergulhos e análises arqueológicas ainda devem ocorrer nos próximos anos, na esperança de encontrar mais peças que ajudem a revelar como era, de fato, o lendário Farol de Alexandria.