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Homem mais rico do mundo deixa a desejar e resultado da Tesla gera desconfiança

20 out 2022, 15:04 - atualizado em 20 out 2022, 16:00
Elon Musk
Resultados são bons por ora, mas mercado quer mais retorno no futuro (Imagem: Reuters/Steve Nesius)

As ações da Tesla (TSLA;TSLA34), montadora de Elon Musk, confirmaram os sinais negativos do after market de ontem e são negociadas em forte queda em Nova York. Por volta das 15h (de Brasília), os papéis da empresa de veículos do homem mais rico do mundo recuavam 7,20%.

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O desempenho da Tesla vem na esteira da divulgação dos resultados do último trimestre, divulgados ontem após o fechamento do mercado norte-americano.

Entre julho e setembro, o lucro líquido foi de US$ 3,292 bilhões, mais que o dobro em relação ao mesmo período de 2021. A receita totalizou US$ 21,454 bilhões no mesmo período, um crescimento de 56% na comparação anual, e o volume de caixa gerado foi US$ 3 bilhões.

Encomendas em número recorde, mas desafios à produção se multiplicam

A montadora liderada por Musk produziu 365.923 veículos e entregou 343.830 desses aos seus clientes, marcando crescimentos respectivos de 54% e 24% na comparação com o mesmo período ano passado.

Segundo João Piccioni, da Empiricus Research, o forte incremento na produção e no número de encomendas se deve ao ‘ramp-up’ (aumento escalonado da produção) da Gigafactory de Xangai, que voltou a operar a plena carga após as interrupções no segundo trimestre do ano. A planta é responsável por fornecer veículos para praticamente todas as regiões do globo, com exceção da América do Norte.

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Entre abril e maio, o maior polo econômico da China enfrentou um rigoroso lockdown que acarretou a paralisação das linhas de produção e do porto da megacidade.

Para João Piccioni, no entanto, os números de entrega da Tesla no trimestre escondem as dificuldades que a empresa passou no período: “houve aumento relevante dos custos das matérias-primas, problemas logísticos na cadeia, que devem se avolumar ao passo que a produção aumenta, e aumento da competitividade”.

Outro efeito citado no relatório da empresa foi o avanço impetuoso do dólar ante outras moedas, um fator que encarece a produção internacional e acaba diminuindo as margens de lucro — 27,9% no trimestre ante 30,5% verificados no ano passado.

O efeito cambial já havia sido mencionado por analistas como um risco para a geração de receita das empresas com operações internacionalizadas, como é o caso da montadora de Elon Musk.

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Segundo João Piccioni: “[a queda de margem devido a efeitos cambiais] pode ser vista como o “novo normal”, já que a empresa ainda deve sentir os impactos provenientes do ramp-up da fábrica da Alemanha e do início da produção no Texas”.

Tesla é refém de valuation exorbitante

Apesar dos números expressivos no lucro e nas encomendas do trimestre, a receita líquida da montadora veio abaixo do consenso de mercado, jogando desconfiança sobre as estimativas de retorno no curto e médio-prazo.

Para a Empiricus Research, há um valuation exagerado do papel praticado pelo mercado — “as ações estão sendo negociadas ao redor das 40x dos seus lucros projetados para os próximos 12 meses, extremamente elevado se comparado aos pares do setor”.

Para corresponder a expectativa dos mercados, a Tesla precisará continuar conduzindo um aumento intenso de produção e encomendas. Para se ter uma ideia, para cumprir a meta de entregas em 2022, Musk precisará vender 500 mil novos veículos no quarto trimestre, um cenário improvável ante a desaceleração macroeconômica capitaneada pela alta de juros e alta inflacionária nos Estados Unidos.

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No ano, papéis da Tesla caíram cerca de 40%, um declínio maior do que o seu índice de referência, o S&P 500. Em meio ao clima de desconfiança, Elon Musk foi ao Twitter — a sua nova e complicada aquisição — para assegurar aos investidores da Tesla que “não os decepcionará”.

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Estagiário
Jorge Fofano é estudante de jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. No Money Times, cobre os mercados acionários internacionais e de petróleo.
jorge.fofano@moneytimes.com.br
Jorge Fofano é estudante de jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. No Money Times, cobre os mercados acionários internacionais e de petróleo.
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