“IA é necessidade, não opção”, avalia CEO da Amazon no Brasil
A inteligência artificial (IA) deixou de ser um diferencial competitivo para virar requisito básico de sobrevivência corporativa. “Assim como aconteceu com a nuvem, a inteligência artificial e os agentes vieram para ficar. É uma necessidade para todas as empresas. Não há mais como não usar”, avaliou Cleber Morais, CEO da Amazon Web Services Brasil, durante o BTG Summit 2026.
A declaração resume o tom do debate no painel “Tecnologia e futuro: a visão das Bigtechs”. Para o executivo, a nova onda tecnológica não é opcional: ela já está redesenhando estruturas internas, modelos de negócio e a forma como empresas geram receita.
Segundo Morais, companhias que adotam IA colhem ganhos claros de produtividade, eficiência operacional e redução de custos, além de abrir novas frentes de inovação.
Ele citou exemplos práticos de empresas que reduziram drasticamente o tempo de execução de processos com apoio de automação inteligente, transformando tarefas que levavam horas em minutos. “É ganho efetivo de resultado”, disse, destacando que a tecnologia também amplia a capacidade de resposta ao cliente e melhora margens.
Na avaliação dos executivos presentes no evento, o diferencial brasileiro se destaca nesse cenário.
Para Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, o avanço acelerado da tecnologia no país tem raízes comportamentais.
“O brasileiro usa tecnologia primeiro por curiosidade. Segundo, por necessidade de estar conectado, porque isso é uma forma de exercer a cidadania. E terceiro porque a gente consegue resolver problema de uma maneira melhor. Mais barato, mais rápido, melhor”, explica.
Segundo ele, desde meados de 2015, com o fortalecimento do empreendedorismo digital, essa característica se intensificou. Hoje, o que se observa é uma busca ativa por acesso à informação e ferramentas tecnológicas, tanto por profissionais quanto por empresas.
“Há uma curiosidade das pessoas de terem essa inteligência democratizada, seja para nós como profissionais, seja para as empresas que olham agressivamente como podem ficar mais produtivas, encontrar novas formas de fazer negócio, interagir com seus clientes e entregar seus produtos e serviços”.
Essa combinação entre criatividade e pragmatismo ajuda a explicar um dado estratégico: o Brasil está entre os três principais mercados do Google em adoção de inteligência artificial. Na avaliação do CEO da Big Tech “o Brasil tem uma enorme vontade de dar certo”.
Nesse contexto, Morais trouxe um exemplo concreto de como essa capacidade de execução ganhou escala. Segundo ele, o que aconteceu no sistema financeiro nacional se tornou referência internacional.
“O que aconteceu no segmento financeiro é uma referência para o mundo inteiro, o Pix.”
O Pix foi citado como um caso emblemático de infraestrutura digital que elevou o nível de eficiência do mercado, ampliou a inclusão financeira e passou a ser observado por outros países.
Os executivos também destacaram que o Brasil deixou de ser apenas importador de inovação. Startups locais que nasceram apoiadas em infraestrutura de nuvem hoje levam tecnologia brasileira para fora. Exemplos citados no painel incluem empresas como QuintoAndar e iFood, que escalaram modelos digitais e se tornaram referências globais em seus segmentos.
“O Brasil está no lugar certo na hora certa”, avaliou o executivo destacando que a combinação entre infraestrutura tecnológica, matriz energética competitiva e um ecossistema financeiro digitalizado cria uma janela estratégica para o país na nova corrida da IA generativa.
Além de infraestrutura e mercado, há um ativo intangível que os executivos fizeram questão de destacar: gente.
Coelho lembrou que o Google mantém centros de engenharia no Brasil e que profissionais brasileiros são altamente respeitados globalmente, tanto pela formação técnica quanto pela capacidade de adaptação. O mesmo ocorre em outras multinacionais de tecnologia, que ampliam suas operações locais com foco em desenvolvimento de produto e inteligência artificial.