Mercados

Ibovespa recua mais de 3% com tensão no Oriente Médio e expectativa de corte menor na Selic; dólar sobe a R$ 5,26

03 mar 2026, 18:09 - atualizado em 03 mar 2026, 18:33
Queda Ibovespa
(Imagem: iStock/Lemon_tm)

Depois de “segurar as pontas” na véspera, o Ibovespa (IBOV) cedeu à pressão externa e encerrou o dia em forte queda.

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Nesta terça-feira (3), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com recuo de 3,28%, aos 183.104,87 pontos. Nas primeiras horas do pregão, o Ibovespa chegou a cair mais de 4%, na casa dos 180 mil pontos. 

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2652, com alta de 1,92%. 

As atenções continuaram concentradas no exterior. Com a escalada das tensões e disparada do petróleo, o mercado brasileiro passou a precificar um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Desde janeiro, a aposta majoritária era de redução de 0,50 ponto percentual na reunião deste mês, com a sinalização de início de afrouxamento monetário pelo BC.

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Hoje, o presidente norte-americano Donald Trump disse que ordenou às forças dos Estados Unidos que se juntassem ao ataque de Israel contra o Irã porque acreditava que o país persa estava prestes a atacar os EUA.

Trump também disse que o país que vai fornecer seguros e garantias para a segurança financeira de todo o comércio marítimo, incluindo petroleiros, que viajam pela região do Golfo, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos.

No cenário doméstico, os investidores repecutiram, ainda que em segundo plano, novos dados econômicos.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025 (4T25). O crescimento econômico acumulado em 2025 foi de 2,3%, em linha com o esperado.

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Na avaliação de Rodolfo Margato, economista da XP, o crescimento do PIB veio de setores menos sensíveis ao ciclo econômico: agropecuária – que registrou expansão acima do esperado contra a expectativa de queda – e a indústria extrativa, que também seguiu em crescimento ascendente, na leitura dele.

Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou a criação de 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, acima do esperado pelos economistas. Segundo a Reuters, a expectativa era de criação de 92 mil postos de trabalho com carteira assinada no mês.

“O emprego formal segue em trajetória de alta, embora com perda de fôlego. O ritmo médio de criação de vagas desacelerou de cerca de 135 mil, no primeiro semestre, para 80 mil, no segundo semestre de 2025, refletindo o arrefecimento da atividade doméstica”, avaliou Margato.

Altas e quedas do Ibovespa

Apenas duas ações das 85 que compõem a carteira teórica do Ibovespa (IBOV) encerraram o dia em alta: Raízen (RAIZ4) com avanço de 6,15%, a R$ 0,69 e; Braskem (BRKM5) com ganho de 3,24%, a R$ 9,55.

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A ponta negativa foi liderada por GPA (PCAR3), com queda de 17,78%, a R$ 2,59.

Os papéis foram pressionados pelo rebaixamento da nota de crédito da companhia de ‘A’ para ‘CCC’ pela Fitch. Segundo a agência de classificação de risco, a mudança considera os crescentes riscos de refinanciamento, tendo em vista que a companhia tem R$ 1,7 bilhão em dívidas a serem pagas até julho.

O enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de que o fluxo de caixa livre (FCF) permanecerá negativo a médio prazo também fundamentaram o rebaixamento, de acordo com a Fitch.

O GPA também entrou com um pedido para bloquear as ações que pertencem ao acionista Casino Guichard-Perrachon e eventuais valores obtidos com a venda desses papéis. A medida visa proteger seus direitos e garantias enquanto a disputa está em andamento.

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Exterior 

Os índices de Wall Street tiveram mais um dia de perdas com temor de novos impactos inflacionários, resultantes do conflito no Irã e disparada do petróleo.

O presidente da unidade do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) de Minneapolis, Neel Kashkari, declarou que é prematuro determinar como a guerra com o Irã afetará a inflação doméstica, mas ressaltou que o desenrolar do conflito pode influenciar a política monetária do país.

Já John Williams, do Fed de Nova York, alertou que o conflito no Oriente Médio pode elevar a inflação no curto prazo.

O presidente Donald Trump anunciou o fim das relações comerciais com a Espanha. “A Espanha tem sido terrível”, disse Trump a repórteres durante uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, acrescentando que havia instruído o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a “cortar todas as relações comerciais” com o país espanhol.

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“Vamos cortar todas as relações comerciais com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha”, acrescentou.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,83%, aos 48.501,27 pontos;
  • S&P 500: -0,94%, aos 6.816,63 pontos; 
  • Nasdaq: -1,02%, aos 22.516,69 pontos.

Na Europa, os principais índices encerraram em forte queda pela segunda sessão consecutiva. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com queda de 3,18%, aos 603,80 pontos.

Na Ásia, os índices também fecharam em tom negativo com a escalada das incertezas. O índice Nikkei, do Japão, caiu 3,06%, aos 56.279,05 pontos; enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,12%, aos 25.768,08 pontos. 

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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