Ibovespa cai 1% e volta aos 161 mil pontos com pressão dos bancos de olho no Caso Master; dólar avança a R$ 5,38
O Ibovespa (IBOV) reduziu os ganhos da semana com a perda de mais de 1,6 mil pontos na sessão. O aumento das incertezas no cenário doméstico e expectativa de que os juros dos Estados Unidos devem permanecer inalterados por algum tempo estão entre os fatores que pressionaram o índice.
Nesta quarta-feira (7), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 1,03%, aos 161.975,24 pontos.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3870, com alta de 0,13%.
No cenário doméstico, os investidores operaram mais avessos ao risco com o aumento das incertezas sobre o poder de intervenção do Banco Central sobre o caso Master.
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou que uma eventual reversão da liquidação do Banco Master não caberia à corte de contas, mas sim ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“O processo de ‘desliquidação’ do Master não cabe ao TCU, cabe ao STF, porque lá tem um processo aberto”, disse ele, em entrevista à Reuters. “Agora, o que o TCU pode oferecer, como vem oferecendo ao Supremo, são elementos sobre a apuração da legalidade da operação”.
Rêgo ressaltou que ainda não há elementos suficientes para afirmar se a liquidação do Banco Master, decretada em novembro pelo Banco Central, foi precipitada.
Segundo ele, essa conclusão dependerá da análise das informações coletadas por técnicos do TCU em uma inspeção dos documentos do BC. A estimativa é que o trabalho leve cerca de 30 dias.
Altas e quedas do Ibovespa
Entre as companhias listadas no Ibovespa (IBOV), os bancos recuaram em bloco com apreensão sobre os desdobramentos do Caso Master. As ações do Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11) caíram mais de 1% e pressionaram o índice.
Os papéis da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4), que também são os pesos-pesados do Ibovespa, tiveram leve alta e limitaram as perdas do índice. A mineradora, a petroleira e os bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A ponta negativa foi liderada por Assaí (ASAI3), em realização dos ganhos recentes.
Já a ponta positiva foi encabeçada por Cogna (COGN3) com alta de mais de 8% após o JP Morgan elevar a recomendação de COGN3 de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 6,50 em dezembro deste ano. O valor implica em uma potencial valorização de 95,2% sobre o preço de fechamento de ontem (6), quando o papel encerrou cotado a R$ 3,33.
Na avaliação dos analistas Marcelo Santos e Livea Mizobata, as ações da educacional seguem negociadas a um valuation “atrativo”, mesmo após a alta de 240% em 2025. A dupla também vê uma perspectiva sólida de crescimento na companhia.
- VEJA TAMBÉM: Money Picks traz as principais recomendações do mercado para o mês; acesse gratuitamente
Exterior
Os índices de Wall Street reagiram a novos dados do mercado de trabalho, que adiaram as apostas de novos cortes nos juros norte-americanos pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano.
O setor privado do país abriu menos vagas de trabalho do que o esperado em dezembro, segundo o relatório nacional de emprego da ADP. Foram abertos 41.000 postos de trabalho no setor privado no mês passado, após fechamento revisado de 29.000 em novembro. A expectativa era de criação de 47 mil postos de trabalho.
Já o relatório Jolts, elaborado pelo Departametno do Trabalho norte-americano, apontou a que as vagas de emprego em aberto, uma medida da demanda de mão de obra, caíram em 303.000, para 7,146 milhões em novembro. Os analistas consultados pela Reuters previam 7,60 milhões de empregos não preenchidos no período.
Após os dados, o mercado ampliou as expectativas de que o Fed deixará os juros, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, inalterados até março. Agora, a previsão é de redução apenas em abril.
Os investidores agora ficam à espera do relatório oficial de empregos, o payroll, de dezembro e do consolidado de 2025. O documento, referência do Fed para o mercado de trabalho, será divulgado na próxima sexta-feira (9).
A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela continuou no radar.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,94%, aos 48.996,08 pontos;
- S&P 500: -0,34%, aos 6.920,93 pontos;
- Nasdaq: +0,16%, aos 23.584,27 pontos.
Na Europa, os índices encerraram a sessão majoritariamente em queda com a ameaça dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia, território da Dinamarca. Em reação, as ações do setor de defesa engataram a quarta alta consecutiva. Já o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou a sessão com leve baixa de 0,05%, aos 604,99 pontos.
Na Ásia, os índices fecharam o pregão em tom negativo em temor de escalada das tensões geopolíticas, com destaque para a ação militar norte-americana na Venezuela. O índice Nikkei, do Japão, caiu 1,06%, aos 51,961,98 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de 0,94%, aos 26.458,95 pontos.