Mercados

Ibovespa avança mais de 6% em agosto e tem melhor desempenho mensal em 1 ano

29 ago 2025, 17:59 - atualizado em 29 ago 2025, 18:14
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O Ibovespa avançou mais de 6% e zerou as perdas de julho com expectativas de corte nos juros nos EUA e cenário eleitoral no Brasil (Imagem: Freepik/ Montagem: Julia Shikota)

O mês de agosto marcou a retomada de altas do Ibovespa (IBOV) com a crescente expectativa de uma mudança de governo e de retomada do afrouxamento monetário no Brasil e nos Estados Unidos.

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O principal índice da bolsa brasileira acumulou valorização de 6,28% em agosto, recuperando a queda de 4,17% registrada em julho. Esse também foi o melhor desempenho mensal desde agosto de 2024. 

O cenário eleitoral de 2026 começou a ganhar espaço nas negociações dos investidores. A pesquisa mais recente da AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na última quinta-feira (28), mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficaria atrás do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — candidato com preferência do mercado — em um eventual segundo turno nas eleições do próximo ano.

O otimismo foi reforçado por um estudo do UBS BB. De acordo com o agregador de pesquisas de popularidade do banco, que considera os resultados das pesquisas Quaest, Paraná Pesquisas e Datafolha, a avaliação do governo atual é insuficiente para sugerir uma vitória de Lula na próxima eleição.

Isso porque Lula tem 29,7% de aprovação — somando as avaliações de “ótimo” e “bom” — até o momento e qualquer candidato com percentual abaixo de 40% não foi reeleito e nem conseguiu eleger um sucessor

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A imposição de tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros à importação nos Estados Unidos, que derrubou o mercado em julho, teve um alívio com a isenção de quase 700 itens.

O governo também estabeleceu um conjunto de medidas para mitigar os impactos econômicos do tarifaço. O pacote, anunciado no início do mês,  inclui R$ 30 bilhões em linha de crédito, aportes de R$ 4,5 bilhões em diferentes fundos garantidores e até R$ 5 bilhões em créditos tributários a exportadores.

O exterior também ‘ajudou’ o mercado brasileiro com a expectativa de corte nos juros dos Estados Unidos em setembro. As apostas de flexibilização ganharam fôlego com declarações do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell. 

Durante o Simpósio de Jackson Hole, Powell afirmou que “a política em território restritivo, a perspectiva básica e a mudança no equilíbrio de riscos podem justificar ajustes” na postura da autoridade monetária — o que foi lido pelo mercado como uma sinalização de corte nos juros.

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Os dados recentes de inflação da maior economia do mundo também endossaram a expectativa. Perto do fechamento desta sexta-feira (29), o mercado precificava 87,2% de chance de o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) cortar 0,25 ponto percentual dos juros na próxima reunião de política monetária. Ontem (28), a probabilidade era de 86,7%. A taxa de juros norte-americana está na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano.

O dólar acumulou desvalorização de 3,19% sobre o real em julho e terminou a última sessão do mês cotado a R$ 5,4220.

As maiores altas do Ibovespa em agosto

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO MENSAL
RADL3 RD Saúde ON 30,29%
MRVE3 MRV ON 27,56%
HAPV3 Hapvida ON 26,13%
ELET3 Eletrobras ON 23,99%
BEEF3 Minerva ON 22,06%
ELET6 Eletrobras PNB 21,58%
RDOR3 Rede D’Or ON 21,11%
DIRR3 Direcional ON 18,94%
MOTV3 Motiva ON 18,62%
MRFG3 Marfrig ON 17,04%

As maiores quedas do índice no mês

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO MENSAL
RAIZ4 Raízen ON -17,61%
RAIL3 Rumo ON -12,03%
PRIO3 PRIO ON -10,24%
CVCB3 CVC ON -9,75%
EMBR3 Embraer ON -5,53%
CSNA3 CSN ON -5,11%
HYPE3 Hypera ON -5,10%
SLCE3 SLC Agrícola -4,53%
PETR3 Petrobras ON -4,04%
RECV3 PetroReconcavo ON -3,65%
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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
liliane.santos@moneytimes.com.br
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.