Ibovespa aos 185 mil pontos: Itaú BBA vê bolsa ainda barata e projeta salto de 15% até dezembro
Depois do Ibovespa (IBOV) avançar 34% em 2025 em reais e acumular uma valorização de 50% em dólar, o Itaú BBA mantém a visão otimista para a bolsa brasileira.
Em relatório divulgado nesta quarta-feira (14), o banco reiterou a recomendação ‘overweight’ – equivalente à compra – das ações brasileiras e prevê o Ibovespa aos 185 mil pontos no final de 2026 – um potencial de valorização de cerca de 15% sobre os níveis atuais.
Para os estrategistas do Itaú BBA, o valuation do Ibovespa segue descontado em relação à média histórica, negociando a um múltiplo de 9,3 vezes o preço sobre lucro (P/L) ante a média histórica de 10,4 vezes P/L. O desconto também é observado na comparação com os mercados emergentes.
A equipe liderada por Daniel Gewehr também vê um momento de lucros levemente positivo. “O lucro líquido do Ibovespa deve crescer, apesar da contração em commodities; empresas domésticas e financeiras crescendo a dois dígitos – crescimento de lucros por categoria”, diz o relatório.
Apesar da visão “moderadamente” positiva, os estrategistas consideram o cenário fiscal e o déficit em conta corrente como os principais fatores de risco para o desempenho do Ibovespa nos próximos 12 meses.
O principal gatilho para o Ibovespa
Afrouxamento monetário é o principal gatilho para o Ibovespa neste ano, na visão dos estrategistas do Itaú BBA.
“Embora reconheçamos que parte do desempenho do mercado brasileiro em 2025 tenha sido uma antecipação do ciclo de cortes do Banco Central, seguimos acreditando que esse será um vetor relevante em 2026”, afirmaram.
Nas contas dos estrategistas, as ações brasileiras tendem a subir, em média, 17,5% nos seis primeiros meses após o primeiro corte nos juros.
O banco projeta uma redução de 225 pontos-base na taxa básica de juros neste ano pelo Banco Central, o que levaria a Selic dos atuais 15% ao ano para 12,75% ao ano em dezembro.
Há também espaço para queda nos juros dos Estados Unidos. A equipe espera dois cortes nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) em 2026, com a perspectiva de que o novo presidente do BC tenha maior tolerância à inflação. Hoje, o Fed Funds está na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
“Acreditamos que esse alinhamento entre política monetária local e global pode ser um gatilho positivo para as ações brasileiras ao longo do ano. Em ciclos anteriores de cortes do Fed (excluindo a crise de 2008 e Covid-19), o Brasil registrou retorno médio de 15,2% em moeda forte em seis meses.”
Onde investir
O Itaú BBA também atualizou a carteira de recomendação das ações para 2026, com maior peso para as ações dos setores de infraestrutura e cíclicas. O banco mantém baixa exposição ao setor de commodities.
Entre as mudanças, a equipe substitui a preferência de Sabesp (SBSP3)e Direcional (DIRR3) por Axia Energia (AXIA3) e Cyrela (CYRE3).
As ações da Eneva (ENEV3), Nubank (ROXO34), Pague Menos (PGMN3) e Tenda (TEND3) também foram incluídas no portfólio, nos lugares de Azzas 2154 (AZZA3), Assaí (ASAI3) e Rumo (RAIL3).
“Vemos potencial de retorno total de 28% para o portfólio, incluindo dividendos. Seguimos gostando de large caps domésticas e reduzimos levemente nossa posição underweight em commodities.”
Confira top picks do Itaú BBA:
| Empresa | Ticker |
|---|---|
| Axia Energia | AXIA3 |
| Bradesco | BBDC4 |
| BTG Pactual | BPAC11 |
| Cyrela | CYRE3 |
| Equatorial | EQLT3 |
| GPS | GPSS3 |
| Multiplan | MULT3 |
| Prio | PRIO3 |
| Rede D’Or | RDOR3 |
| Suzano | SUZB4 |