Ibovespa cai 2,49% puxado por Petrobras e Eletrobras

O Ibovespa terminou o pregão desta terça-feira (5) com queda de 2,49%, a 76.641 pontos, pressionado pelo recuo nas ações da Petrobras e Eletrobras. Os investidores continuam apreensivos com o cenário eleitoral e o ritmo da atividade econômica no país. O volume financeiro na sessão atingiu R$ 12,106 bilhões.
No cenário econômico interno, destaque para a produção industrial brasileira, que teve um crescimento de 0,8% de março para abril deste ano, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal. A alta veio depois de uma queda de 0,1% em março.
Outra informação que repercutiu negativamente foi a divulgação de pesquisa com os pré-candidatos considerados reformistas pelo mercado mostrando desempenho fraco, enquanto nomes de oposição, vistos como ‘mais arriscados’, ganharam espaço.
Por conta do cenário externo (perspectiva de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos) e do ambiente político local, o dólar fechou o dia com alta de 1,78%, cotado a R$ 3,81, maior nível desde 2 de março de 2016, mesmo após atuação mais forte do Banco Central.
A autoridade monetária anunciou um leilão extra de 30 mil contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólar futuro, no valor de US$ 1,5 bilhão, além dos 15 mil contratos normalmente oferecidos no dia e dos 8.800 contratos destinados à rolagem do vencimento de julho.
Eletrobras
As ações da Eletrobras terminaram o pregão desta terça-feira com forte queda, com ELET6 liderando a baixa no pregão após tombar 8,15%, a R$ 17,36, e os papéis ordinários ELET3 recuando 7,81%, a R$ 14,99. No início do dia, a companhia comunicou que a 49ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, concedeu liminar determinando que a companhia e suas subsidiárias Amazonas Distribuidora, Centrais Elétricas de Rondônia, Eletroacre, Companhia Energética de Alagoas e Companhia Energética do Piauí, se abstenham de dar prosseguimento ao processo de desestatização.
A decisão determina ainda que as companhias apresentem, individualmente ou de forma coletiva, no prazo de até 90 (noventa) dias, estudo sobre o impacto da privatização nos contratos de trabalho em curso.
Petrobras
O mercado continuou hoje a monitorar os desdobramentos políticos após a greve dos caminhoneiros, atento também aos rumos da política de preços da Petrobras. No final da manhã, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou que não há espaço para subsídio para a gasolina.
A estatal petrolífera anunciou que atingiu o limite estipulado de US$ 4 bilhões em uma oferta de recompra de títulos, de um total ofertado antecipadamente de US$ 12,835 bilhões, segundo comunicado divulgado ao mercado. As ações preferenciais (PETR4) registraram queda de 5,36%, para R$ 16,59, enquanto as ordinárias (PETR3) terminaram o pregão com recuo de 3,00%, a R$19,38.
Magazine Luiza
O Credit Suisse cortou a recomendação para as ações do Magazine Luiza (MGLU3) de outperform (desempenho acima da média do mercado) para neutra após uma expressiva valorização de 55,4% em 2018, contra 2,9% do Ibovespa, segundo um relatório enviado a clientes na noite de ontem (4). As ações da varejista caíram 2,67%, para R$ 121,02.
Apesar da revisão, o banco reiterou a visão positiva sobre os papéis e o futuro da companhia e ampliou o preço-alvo estimado de R$ 75 para R$ 120. “Em um momento em que as varejistas brasileiras não estão conseguindo superar as estimativas, a MGLU3 tem sido um consolo”, explicaram os analistas Tobias Stingelin, Pedro Pinto e Leandro Bastos.
Bancos
As ações do Bradesco (BBDC4) recuaram 5,17%, aos mesmo tempo que os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4) perderam 3,1%, pressionados pela piora na percepção sobre os ativos brasileiros em meio às incertezas nos campos político e econômico no país.
Os papéis do Banco do Brasil tombaram 6,37%, para R$ 29,12. Em uma avaliação enviada a clientes e após verificar a precificação dos bancos da América Latina, o Itaú BBA concluiu que os papéis do BB estão baratos quando analisados pela maioria das métricas de precificação, considerando inclusive a recente desvalorização das ações. O analista Thiago Batista reiterou sua visão positiva e classificou o banco como o preferido no setor na América Latina.
*Com Investing.com e Agência Brasil