Ibovespa cai, mas não derrete após atos de vandalismo em Brasília; por quê?

O Ibovespa tem sessão negativa um dia após a destruição em Brasília provocada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por volta das 11h57, o índice exibia queda de 0,25%. a 108.689 pontos.
Apesar das perdas, o valor é menor do que na última segunda-feira (09), por exemplo, quando o IBOV perdeu 3% após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com Dan Kawa, da TAG Investimentos, o cenário internacional explica essa diferença. “Bolsas globais estão muito fortes, China subindo bastante e EUA e Europa firmes“, diz.
Ele afirma ainda que no relativo “estamos ficando muito para trás”.
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street abriram em alta nesta segunda-feira com o otimismo em torno da reabertura das fronteiras da China, enquanto sinais de desaceleração do mercado de trabalho impulsionaram as apostas de um ritmo mais lento no aumento dos juros pelo Federal Reserve.
Ainda no domingo, após os ataques aos Três Poderes, Lula decretou intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal e, na madrugada desta segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o afastamento por 90 dias do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB).
Na visão de José Tovar, presidente-executivo da Truxt Investimentos, as imagens podem assustar o investidor estrangeiro inicialmente, mas o efeito no mercado tende a ser limitado, pois as lideranças políticas condenaram os episódios, que também não tiveram uma liderança política por trás.
“É deplorável o vandalismo e a destruição de propriedade pública… Foi um capítulo ruim na história política do Brasil”, afirmou Tovar. “Mas não acho que o mercado vá dar grande importância, se parar por aí, como eu espero”, disse o presidente da Truxt, que tem 16 bilhões de reais em ativos sob gestão.
De acordo com fontes ouvidas pelo Money Times, o fluxo estrangeiro se mantém equilibrado, com Necton Morgan Stanley, BTG, Citi e M. Lynch comprando e UBS, Goldman, Terra, Tullett e Santander vendendo.
Para estrategistas do JPMorgan, a reação negativa do mercado deve ser de curto prazo. “Foi mais um evento midiático do que qualquer outra coisa”, afirmaram, ressaltando, porém, que é preciso observar se esses ataques irão surgir novamente e qual será a intensidade deles.
Eles acrescentaram que os protestos de domingo foram centralizados em Brasília e que “é fundamental que não se espalhem em larga escala para outros Estados ou que não causem um efeito cascata como uma greve de caminhoneiros”.
Com Reuters