Ibovespa fecha em queda de quase 1% acompanhando exterior
O Ibovespa fechou em queda de 0,88% nesta segunda-feira (23), aos 188.853 pontos, acompanhando, majoritariamente, o que foi visto no exterior.
Em grande parte, a performance do índice acompanhou o que foi visto no exterior. Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 1,66%, 1,04% e 1,13%.
“O mercado brasileiro cai em linha com o mercado norte-americano, na minha visão, por conta de um movimento global de aversão a risco disparado pelas incertezas em relação à política de comércio exterior norte-americana”, explica Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Perri explica que a decisão da Suprema Corte dos EUA na última sexta de derrubar a política tarifária de Donald Trump, seguida pelo um novo anúncio de tarifas de 10% pelo Republicano no mesmo dia e a elevação para 15% no sábado, reforça a percepção de uma política econômica errática por parte da maior economia do planeta.
“O Ibovespa dentro de um contexto global. As bolsas americanas também estão em queda. O Ibovespa vinha de máxima recente e passa por um movimento de realização. Parte do mal-estar está relacionada à elevação das tarifas de 10% para 15%, o que ampliou a incerteza”, comenta José Faria Júnior, da Planejar Investimentos.
No cenário nacional, o destaque ficou para a divulgação do Relatório Focus. Entre os destaques para 2026, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram revisadas de 3,95% para 3,91%. Já a estimativa para a Selic caiu de 12,25% para 12,13%.
Já o dólar, depois de oscilar no campo negativo ao longo de quase todo o pregão, virou nos minutos finais e fechou com leve alta de 0,10% frente ao real, cotado a R$ 5,183.
O movimento da moeda americana destoou do exterior. O índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de divisas fortes, recuava 0,08% às 17h15, aos 97,706 pontos.
“Tivemos uma sessão volátil, na qual o dólar chegou a ser negociado próximo de R$ 5,15. Lá fora, a moeda perdeu força acompanhando a queda dos juros dos Treasuries ao longo de toda a curva, com destaque para o vencimento de 10 anos, que recuou mais de 6 pontos-base”, afirma Bruno Shahini, economista da Nomad.
Segundo ele, o enfraquecimento do dólar no exterior refletiu a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma nova tarifa global de 15%, após a Suprema Corte considerar ilegais parte das medidas anteriores.
Apesar da nova rodada de tarifas, a avaliação é que muitos países, incluindo o Brasil, devem enfrentar alíquotas menores, o que pode contribuir para reduzir pressões inflacionárias nos EUA e abrir espaço para cortes adicionais de juros pelo Federal Reserve.