Ibovespa despenca mais de 2% na mínima intradia e dólar salta a R$ 5,30: o que movimenta os mercados hoje (20)?
O Ibovespa (IBOV) perdeu mais de 4 mil pontos nas primeiras horas do pregão com as atenções concentradas em novos desdobramentos do conflito no Irã e preocupações com um eventual choque inflacionário no radar.
Na mínima intradia, o IBOV atingiu os 175.039,34 (-2,90%), no menor nível desde 22 de janeiro.
O conflito no Irã, iniciado com ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel, caminha para a sua quarta semana.
Hoje, três autoridades norte-americanas disseram à Reuters que os EUA vão enviar milhares adicionais ao Oriente Médio. O governo Trump também planeja ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz.
Já o presidente dos EUA, Donald Trump, atacou seus aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por conta da falta de apoio à guerra, chamando-os de “covardes”.
Além disso, os alertas para um choque inflacionário no mundo dos Bancos Centrais colocaram os mercados em “tensão máxima”.
Ontem (19), o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo e alguns membros do Comitê de Política Monetária já levantaram a possibilidade de um aumento nos juros a frente.
O Banco Central da Europa (BCE), na mesma linha, disse que o salto nos preços da energia elevou sua previsão de inflação para a zona do euro em 2026 a 2,6% – acima de sua meta de 2% – mas disse que o impacto de longo prazo ainda não está claro.
Em reação, o mercado zerou as apostas de um corte nos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) neste ano. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, por volta de 12h30, os traders veem setembro de 2027 como o mês mais provável para a retomada de uma flexibilização monetária.
Para a próxima decisão do Fed, em abril, a chance é de 85,5% de uma nova manutenção nos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Já a curva a termo brasileira precificava, nesta manhã, 84% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic, contra 16% de manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano.
No mercado, porém, alguns agentes ouvidos pela Reuters ponderam que um corte de 50 pontos-base não está totalmente descartado, já que a incerteza sobre o andamento da guerra e seus impactos nos países é grande.
No vermelho
Entre as ações negociadas do Ibovespa, as ações da Cemig (CMIG4) figuraram como a única alta nas primeiras duas horas do pregão. Na máxima intradia, CMIG4 subiu 3,53% (R$ 12,62), em reação aos números do balanço do quarto trimestre (4T25) e anúncio da distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 658 milhões, com data “ex-direito” em 25 de março.
Agora, Yduqs (YDUQ3) e Rede D’Or (RDOR3) tentam firmar alta.
Já a ponta negativa é puxada por Braskem (BRKM5), que recua mais de 9%, em reação à mudança do Regime Especial da Indústria Química (Reiq). O benefício corresponde a créditos de PIS/Cofins, incidentes sobre as matérias-primas das indústrias química e petroquímica, passíveis de compensação com tributos federais.
Entre os pesos-pesados do índice, Petrobras (PETR4;PETR3) cai mais de 3%, em dia de volatilidade nos preços do petróleo Brent no mercado internacional. O movimento de baixa foi acentuado após a publicação de uma Medida Provisória (MP) pelo governo federal que estabelece um subsídio ao diesel para mitigar os efeitos da alta das commodities no mercado global.
PETR4 registrava queda de 3,12%, a R$ 45,32, por volta de 12h30, e figurava como a ação mais negociada na B3 – com 39,7 mil negócios e giro financeiro de 1,06 bilhão.
Vale (VALE3) acompanha a cautela global e recua, a contramão do desempenho do petróleo. Às 12h20, VALE3 caía 1,42%, a R$ 75,47. O contrato mais negociado do minério de ferro, para maio, fechou com alta de 1,05%, a 815,50 yuans (US$ 118,17) a tonelada na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China.
Exterior
No exterior, os índices de Wall Street operam em forte queda. Por volta de 12h40, Dow Jones caía 0,58%, aos 45.732,23 pontos; S&P 500 recuava 0,88%, aos 6.548,78 pontos e Nasdaq tinha desempenho negativo de 1,24%, aos 21.817,35 pontos.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 tinha queda de 1,45%, aos 575,08 pontos, no mesmo horário.
Na Ásia, o o índice de Xangai teve queda de 1,24%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,35%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,88%.
Por lá, o Banco da China (BPoC, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela 10ª decisão consecutiva. A taxa primária de empréstimo de um ano (LPR) foi mantida em 3,0%, enquanto a LPR de cinco anos ficou inalterada em 3,5%.
Dólar a R$ 5,30
Enquanto o Ibovespa cai mais de 1%, o dólar à vista (USDBRL) ganha força com o aumento da aversão a risco externa e precificação de juros nos Estados Unidos elevados por tempo prolongado.
Por volta de 12h40 (horário de Brasília), a divisa norte-americana operava R$ 5,28,76, com alta de 1,38% ante o real. A moeda atingiu R$ 5,3104 (+1,82%) na máxima intradia.
O dólar também acompanha o movimento do exterior. O DXY, que compara a divisa a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,40%, aos 99,630 pontos, no mesmo horário.