Ibovespa tem novo salto, renova recorde e ultrapassa os inéditos 177 mil pontos
Pelo terceiro dia consecutivo, o Ibovespa (IBOV) renova os recordes nominais históricos com forte fluxo de capital estrangeiro.
Por volta de 12h30 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira alcançou os 177.100,98 pontos, com avanço de 3,08%, em nova máxima histórica. O último recorde intradia foi registrado ontem (21), quando o índice atingiu os 171.969,01 pontos durante a sessão.
O tom positivo, iniciado na última terça-feira (20), deve-se ao movimento de rotação global – com a saída de dólares dos mercados norte-americanos, em meio a tensões geopolíticas protagonizadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump –, também conhecido como “Sell America“.
O cenário doméstico também contribui para a valorização do Ibovespa. Por aqui, a arrecadação do governo federal teve alta real de 3,65% em 2025 sobre ano anterior, somando R$2,887 trilhões, segundo dados divulgados pela a Receita Federal nesta quinta-feira.
Esse foi o melhor resultado anual já registrado na série histórica do governo, iniciada em 1995.
Durante a coletiva de imprensa sobre os números, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que o fisco estabeleceu como meta arrecadar neste ano R$ 200 bilhões por meio de negociações amigáveis para coleta de tributos sem litígio. Em 2025, a “cobrança amigável” foi de R$177,5 bilhões.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo central fechou 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar obtido após abatimento de despesas que não serão contabilizadas após decisão judicial, como precatórios e indenizações a aposentados.
Os dados oficiais do resultado fiscal de 2025, que considera receitas e despesas, serão apresentados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central no final de janeiro.
Sobe e desce do Ibovespa
Em dia de máximas histórica, apenas PetroReconcavo (RECV3) e Prio (PRIO3) compõem a ponta negativa do Ibovespa. As juniors oil são pressionadas pela queda de quase 2% do petróleo Brent.
A ponta positiva é liderada por Cogna (COGN3) pela segunda sessão consecutiva. Os investidores ainda repercutem a visão positiva do BTG Pactual sobre a companhia.
Ontem (21), o banco elevou a recomendação de neutra para compra e elevou o preço-alvo de R$ 4 para R$ 5. Para os analistas, a educacional continua a apresentar sólido momento operacional e perspectivas atrativas de geração de fluxo de caixa livre (FCF). Em reação, as ações encerraram o dia com alta de 11%.
Braskem (BRKM5) também opera entre as altas do Ibovespa após um dos maiores investidores individuais da B3, Victor Adler, montar posição da companhia. Ele, segundo a petroquímica, passou a deter cerca de 5% de participação no capital social.
Entre os pesos-pesados, Vale (VALE3) sobe mais de 1% com a entrada de fluxo estrangeiro. A ação da mineradora é a quarta mais negociada do mercado brasileiro, com giro financeiro de 786 milhões em um pouco mais de 20mil negócios.
A Petrobras (PETR4) tem alta de 0,5%, limitada pelo desmpenho do petróleo, e figura como a mais negociada da B3.
Os bancos, que também integram os pesos-pesados do índice, avançam em bloco com os investidores acompanhando os desdobramentos do Caso Master e o pagamento aos credores pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Os bancos, Vale e Petrobras juntos corresponde a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
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E o dólar?
O dólar opera em queda ante as moedas globais, como euro e libra, no nível dos 98 pontos, com uma série de dados econômicos nos Estados Unidos.
Por volta de 12h (horário de Brasília), o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,22%, aos 98.537 pontos.
Na comparação com o real, o dólar acompanha o movimento externo. No mesmo horário, a divisa norte-americana operava a R$ 5,3157 (-0,10%).
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Exterior
As bolsas de Wall Street mantêm o ritmo de ganhos iniciado na sessão anterior, em meio ao recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na disputa pela Groenlândia.
Ontem (21), o chefe da Casa Branca afirmou que não usará da força para “conquistar” a Groenlândia, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Ele também declarou, no final da tarde, que está próximo de um acordo sobre a ilha e suspendeu tarifas de 10%, que entrariam em vigor em 1º de fevereiro. sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump.
Já hoje, Trump disse que o acordo com a Otan permitirá acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia, mas sem comentar detalhes.
Os dados econômicos também movimentam o pregão. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,2% em novembro ante outubro. Na comparação anual, a alta foi de 2,8%. Os números ficaram em linha com a expectativas do mercado.
O PCE é a medida de inflação de referência para o Federal Reserve (Fed).
Após o dado, o mercado manteve as apostas de manutenção dos juros pelo Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na próxima decisão de política monetária, que acontece na próxima semana. A previsão de retomada do ciclo de afrouxamento monetária segue apenas a partir de junho.
Por volta de 12h (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,52%, aos 49.331,23 pontos; o S&P 500 tinha alta de 0,30%, aos 6.896,59 pontos e o Nasdaq registrava ganho de 0,49%, aos 23.339,09 pontos.