Ibovespa alcança os inéditos 187 mil pontos após ata do Copom e renova recorde histórico
O Ibovespa (IBOV) ganhou quase 4 mil pontos na primeira hora de negociações com a proximidade do início do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil.
Por volta de 11h40 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira alcançou os 187.154,32 pontos, com avanço de 2,39%, em nova máxima históricas. O último recorde intradia foi registrado na quinta-feira (29), quando o índice atingiu os 186.449,75 pontos na reta final da sessão.
Mais cedo, a ata confirmou a indicação de corte na Selic na próxima reunião. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a ata.
O Copom também reiterou que a magnitude dos cortes será definida reunião a reunião. “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante”, acrescentou.
Contudo, o mercado elevou as apostas de uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa de juros, o que levaria a Selic a 14,50% ao ano.
No exterior, os índices de Wall Street operam em alta de olho nos balanços corporativos e com os investidores atentos aos desdobramentos da paralisação (shutdown) parcial do governo, iniciado no último sábado (1º).
Sobe e desce do Ibovespa
Em dia de máximas histórica, nenhuma ação opera em queda.
A ponta positiva é liderada por Usiminas (USIM5) a despeito da queda de mais de 1% do minério de ferro na Dalian Commodity Exchange, na China.
Vale (VALE3), um dos pesos-pesados do Ibovespa, acompanha o setor e sobe quase 3%, sendo a segunda ação mais negociada na B3 – com cerca de 9,5 mil negócios movimentando R$ 400,6 milhões.
Ainda entre “as pesadas” do índice, Petrobras (PETR4) avança cerca de 2%, na esteira do desempenho positivo do petróleo Brent. O papel da estatal figura como o mais negociado da bolsa brasileira, com o forte fluxo de capital – e ignorando o rebaixamento da recomendação de compra para neutra pelo Bradesco BBI.
Os bancos também sobem em bloco na expectativa pelos balanços referentes ao quarto trimestre (4T25), além do otimismo doméstico. Itaú (ITUB4), Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) divulgam os resultados ao longo desta semana.
Os bancos, Vale e Petrobras juntos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
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E o dólar?
O dólar opera em queda ante as moedas globais, como euro e libra, no nível dos 96 pontos, em meio a incertezas geopolíticas e a duração do shutdown dos Estados Unidos.
Por volta de 11h40 (horário de Brasília), o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,04%, aos 97.591 pontos.
Na comparação com o real, o dólar acompanha o movimento externo, além da expectativa de redução nos juros brasileiros ao longo deste ano. No mesmo horário, a divisa norte-americana operava a R$ 5,2130 (-0,88%). Mais cedo, a divisa bateu mínima intradia a R$ 5,2065 (-1,00%).
“O tom da ata do Copom é semelhante ao do comunicado divulgado logo após a decisão e reforça que a trajetória dos juros é de queda, estimulando a tomada de risco no Brasil enquanto o diferencial de juros permanece consideravelmente elevado, sem afetar o carry trade“, avalia a economista-chefe da Nomad, Paula Zogbi.