Ibovespa perde os 95 mil e dólar sobe com incertezas sobre conversas EUA-China

O mercado brasileiro se recuperou ao longo do dia ao sabor das declarações do presidente americano Donald Trump. Mesmo assim, o Ibovespa caiu abaixo dos 95 mil pontos, enquanto o dólar subiu frente ao real, mas sem apagar a queda de mais de 1% na última sessão.
Permanece ainda a incerteza sobre o acirramento da tensão comercial envolvendo Estados Unidos e China, com trocas de ameaças entre os dois países. Se depender de Trump, os EUA irão elevar tarifas sobre US$200 bilhões em produtos chineses a partir desta sexta-feira –iniciativa que sofrerá retaliações, de acordo com Pequim. Sob tal pano de fundo, uma comitiva chinesa conversa com autoridades americanas em Washington.
E, segundo o próprio presidente dos EUA, ainda há chance de um entendimento entre as partes após ele ter recebido uma carta do presidente da China, Xi Jinping, e afirmar que se reunirá com chineses na noite desta terça-feira no que pode ser o encontro derradeiro para um desfecho das negociações que se arrastam há meses.
O mercado teme que os EUA efetivamente elevem tarifas sobre importações chinesas, colocando fim à trégua entre os países e piorando a perspectiva para a desaceleração global. Por isso, investidores fogem do risco. O índice Bovespa caiu 0,83% a 94.807 pontos – depois de chegar a 93.883 pontos, na mínima – e o dólar futuro avançava 0,61% a R$3,960 na B3.

Os juros futuros recuaram em bloco, com o mercado calibrando apostas após a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. A sessão foi volátil, com a tendência de declínio nos prêmios de risco se firmando à tarde a partir da menor tensão dos mercados diante de novas declarações de Trump. Ao fim do dia, o contrato para janeiro de 2020 caía 3 pontos-base para 6,40%.
Na véspera, o Copom manteve a taxa Selic em 6,50% ao ano, mas destacou que o grau de ociosidade da economia brasileira ganhou mais peso no balanço de riscos, assim como as apostas em torno da reforma da Previdência. Números de vendas do varejo em março, divulgados hoje, abaixo das expectativas fortaleceram o panorama de retomada lenta da atividade.
Em paralelo, os trabalhos na comissão especial da reforma da Previdência evoluíram com certa tranquilidade nesta semana em comparação às sessões tumultuadas na Comissão de Constituição e Justiça.
Para o secretário especial de Previdência, Rogério Marinho, o relatório do projeto será apreciado pela comissão até o início de junho. O departamento de economia da Safra Corretora, chefiado por Carlos Kawall, mantém a perspectiva de que uma redução da Selic deve ocorrer no terceiro trimestre do ano – talvez coincidindo com avanço decisivo da reforma –, para 5,50%.

Os índices Dow Jones e S&P500 caíram pelo quarto pregão seguido em meio às incertezas sobre a guerra tarifária entre EUA. O pessimismo externo levou o índice VIX, termômetro de expectativa de volatilidade do índice S&P500, a disparar e atingir o maior patamar desde o começo do ano.
Para operadores de mesa, o salto neste indicador sugere pressão de baixa sobre os mercados nas próximas semanas, podendo desencadear realizações de lucros em Nova Iorque após o forte início de ano das bolsas, que renovaram máximas históricas.
Enquanto isso, papéis brasileiros acabam sofrendo a reboque do fluxo, mesmo diante de boas novidades da safra de resultados das empresas no primeiro trimestre. Por ora, a temporada tem mostrado que o foco em eficiência operacional pode beneficiar companhias em meio à fraqueza da economia, sob incertezas quanto ao rumo da agenda de reformas. Ainda hoje, o mercado conhecerá o balanço da Vale e de mais 20 empresas.
Na sexta-feira, o calendário de resultados é mais comedido, ao passo que a agenda econômica destaca por aqui a inflação oficial do país em abril, o chamado IPCA, que pode influenciar em novas projeções para o rumo do juro básico brasileiro. Lá fora, também será conhecido o índice de preços ao consumidor nos EUA, assim como a prévia do PIB do Reino Unido no primeiro trimestre.