Ibovespa salta mais de 16% no 1T26; o que esperar de agora em diante, segundo o Inter
O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alta acumulada de 16,35%, o que corresponde a aproximadamente metade da valorização registrada ao longo de 2025.
De acordo com o analista técnico de renda variável do Inter, Leandro Martins, uma combinação de “ventos favoráveis” beneficiou o índice nos três primeiros meses do ano, ainda que o fim do período tenha sido marcado por um cenário de incertezas com a escalada das tensões geopolíticas.
Um dos principais fatores foi a sinalização e o início do afrouxamento monetário pelo Banco Central. No começo de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) retomou o ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, reduzindo de 15% para 14,75% ao ano.
“Uma das máximas do mercado financeiro é: juros para baixo, bolsa para cima. E, de fato, a queda da Selic, que já havia sido sinalizada na decisão do Copom de janeiro, se confirmou em março”, afirmou o analista, em entrevista ao Money Times.
“Com isso, vimos uma valorização mais expressiva das ações de varejo e construção civil, setores diretamente beneficiados pelo ciclo de queda da Selic. A ação da própria B3 (B3SA3), por exemplo, subiu mais de 7% em março”, acrescentou.
A equipe macroeconômica do Inter projeta cortes de 0,25 ponto percentual ao longo deste ano, com a Selic encerrando 2026 em 12,50% ao ano.
O cenário global também ‘ajudou’ o Ibovespa. O analista do Inter destacou a forte valorização das companhias de Óleo e Gás no período, acompanhando a alta dos preços do petróleo diante das tensões no Oriente Médio. Somente em março, o Brent, referência para o mercado internacional, acumulou alta de 42%, com barril acima de US$ 100.
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4), por exemplo, acumulam valorização de cerca de 60%, figurando entre as maiores altas do Ibovespa no trimestre. Apenas no último mês, a companhia adicionou R$ 134 bilhões em valor de mercado. A Prio (PRIO3) também aparece entre os papéis com melhor desempenho desde janeiro, com alta de 54%.
Além disso, a bolsa brasileira contou com forte entrada de capital gringo. Desde o início de 2026, investidores estrangeiros injetaram cerca de R$ 48 bilhões no mercado doméstico.

Bolsa brasileira segue atrativa
Apesar de não estar tão “barata” quanto antes, a bolsa brasileira segue atrativa, na avaliação de Martins.
Segundo estimativas do Inter, o Ibovespa é negociado atualmente a um múltiplo preço/lucro (P/L) de 12 vezes, ligeiramente acima da média histórica de 11x. Para o analista, o mercado passa a ser considerado “caro” quando atinge cerca de 15x — patamar observado em momentos como o impeachment de Dilma Rousseff e no período que antecedeu a pandemia de Covid-19.
O P/L mede a relação entre o preço das ações e o lucro das empresas, indicando em quantos anos o investidor recuperaria o valor investido com base nos resultados das companhias. Em geral, quanto menor o P/L, mais baratas estão as ações.
“Com juros mais baixos, os lucros das empresas tendem a crescer, abrindo espaço para a continuidade da alta dos preços”, afirmou.
Até onde vai o Ibovespa?
O analista não descarta novos recordes para o Ibovespa nos próximos meses. Em fevereiro, o índice superou os 190 mil pontos pela primeira vez.
“Acredito que rompa os 200 mil pontos, já estamos muito próximos disso”, disse Leando Martins, em entrevista ao Money Times.
“Eu acredito na continuidade do viés de alta, no rompimento do topo histórico dessa região, e até superar um número muito simbólico.”
Na avaliação de Martins, mesmo um eventual arrefecimento das tensões no Oriente Médio — e a consequente queda dos preços do petróleo — não deve alterar a tendência positiva do índice.
“Uma resolução do conflito no Irã pode dar continuidade à alta do Ibovespa ao longo do ano, mas com uma nova dinâmica: não mais puxada pelo petróleo e, sim, pelos setores mais sensíveis à Selic, como varejo e construção”, disse.
Apesar do cenário otimista, os riscos seguem no radar. Entre eles, destacam-se as eleições de outubro, que tradicionalmente aumentam a volatilidade dos mercados, além das preocupações com o quadro fiscal brasileiro.
“É difícil precificar até onde o índice pode subir, dado o ambiente de incertezas e alguns pontos sensíveis no Brasil, como os gastos públicos”, afirmou Martins.