Eleições

Ícone conservador da Hungria, Orbán é derrotado pela oposição de centro-direita

13 abr 2026, 4:53 - atualizado em 13 abr 2026, 4:39
Mesmo com apoio de Trump e Putin, Viktor Orbán deixa poder na Hungria após 16 anos (Pool via Reuters/File Photo)

O veterano líder nacionalista da Hungria, Viktor Orbán, perdeu o poder para o emergente partido de centro-direita Tisza nas eleições nacionais deste domingo (12), após 16 anos no cargo, marcando um revés para seus aliados na Rússia e na Casa Branca do presidente dos EUA, Donald Trump.

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Orbán, de 62 anos, era celebrado por conservadores em toda a Europa e nos Estados Unidos como o arquiteto do modelo “iliberal” de democracia, mas perdeu apoio em casa entre os eleitores.

Sua derrota esmagadora deu a Peter Magyar, do Tisza, de 45 anos, uma confortável maioria no parlamento húngaro de 199 assentos, abrindo caminho para reformas significativas de um sistema que críticos na União Europeia afirmavam subverter normas democráticas.

Com quase todos os votos apurados, o Tisza estava prestes a conquistar 138 cadeiras, mais do que a maioria de dois terços de que Magyar precisaria para desfazer a reformulação constitucional de Orbán e combater a corrupção.

A participação recorde no domingo ressaltou como muitos húngaros viam a eleição como um momento decisivo para o país.

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“Nós conseguimos. O Tisza e a Hungria venceram esta eleição”, disse Magyar a dezenas de milhares de apoiadores que dançavam e comemoravam ao longo da elegante margem do rio Danúbio, no centro de Budapeste.

Muitos seguravam velas enquanto alto-falantes tocavam “My Way”, de Frank Sinatra, quando Magyar caminhou em direção ao palco. “Juntos, substituímos o sistema de Orbán e juntos libertamos a Hungria, recuperamos nosso país”, afirmou.

Magyar apresentou a eleição como uma escolha entre “Leste e Oeste”, alertando os eleitores de que Orbán e sua postura confrontadora em relação a Bruxelas afastariam ainda mais o país do eixo europeu. Orbán, por sua vez, afirmou que o Tisza arrastaria a Hungria para uma guerra indesejada com a Rússia, acusação negada por Magyar.

“O resultado da eleição é doloroso para nós, mas claro”, disse Orbán na sede de campanha do Fidesz. Alguns de seus apoiadores reunidos do lado de fora choraram ao assistir ao discurso em telas de TV.

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Ondas de choque para a UE e além

O fim dos 16 anos de governo de Orbán terá implicações significativas não apenas para a Hungria, mas também para a União Europeia, a Ucrânia e além.

Muitos líderes europeus esperam o fim do papel confrontador da Hungria dentro da UE, possivelmente abrindo caminho para um empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia, devastada pela guerra, que havia sido bloqueado por Orbán.

Mujtaba Rahman, diretor-gerente do Eurasia Group, disse que Magyar será capaz de cumprir suas promessas de combater a corrupção e remover aliados do Fidesz de posições-chave.

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“Em relação à Ucrânia, Magyar concordará em abrir caminho para que 90 bilhões de euros fluam para o país. Ele foi extremamente cauteloso antes da eleição, mas agora, sem a necessidade de tentar agradar os eleitores do Fidesz, acreditamos que a Hungria avançará cautelosamente mais para o centro do mainstream europeu na maioria dos temas”.

Alguns diplomatas em Bruxelas alertaram que questões como migração podem continuar delicadas. “A Hungria continuará sendo um parceiro desafiador, mas um parceiro com o qual os outros Estados-membros podem trabalhar”, disse um deles.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy parabenizou Magyar e prometeu trabalhar com ele para fortalecer a Europa e manter a paz e a segurança. “É importante quando uma abordagem construtiva vence”, escreveu Zelenskiy no Telegram.

A derrota de Orbán também pode significar a eventual liberação de fundos da UE para a Hungria, suspensos por causa de reformas que Bruxelas disse minarem padrões democráticos — algo observado de perto pelos mercados financeiros.

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“A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, principal autoridade executiva da UE, após a divulgação de resultados parciais.

A saída de Orbán também privaria o presidente russo Vladimir Putin de seu principal aliado na UE e causaria repercussões nos círculos de direita no Ocidente, incluindo a Casa Branca.

Orbán havia recebido apoio público do governo Trump, culminando com uma visita a Budapeste do vice-presidente JD Vance na semana passada, além de apoio do Kremlin e de líderes de extrema direita na Europa.

Mas sua campanha foi abalada por reportagens que alegavam que seu governo colaborou com Moscou em questões diplomáticas e políticas.

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Orbán, que negou qualquer irregularidade, disse que seu objetivo era proteger a identidade nacional da Hungria e os valores cristãos tradicionais dentro da UE, além de sua segurança em um mundo perigoso.

“É incrivelmente emocionante”, disse Dorina Nyul, de 24 anos, que participou do evento do Tisza na noite da eleição. “Parece que esta é nossa primeira e última chance em muito tempo de realmente mudar o sistema. E eu nem consigo descrever a sensação”.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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