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BTG Pactual: iFood domina mercado de entregas, mas ainda disputa espaço na guerra do delivery

15 mar 2026, 10:00 - atualizado em 11 mar 2026, 13:29
iFood, aplicativos
Atualmente, o iFood “detém mais de 70% do mercado de entrega de restaurantes (Imagem: Shutterstock/Leonidas Santana)

Quando o assunto é mercado de delivery no Brasil , o iFood é campeão no setor. No entanto, o BTG Pactual avalia que a “guerra do delivery” está se intensificando, o que resulta na disputa de expaço entre o iFood e seus concorrentes.

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Em relatório, o banco destaca que a empresa detém mais de 70% do mercado de entrega de restaurantes e cerca de 57% do ecossistema geral de delivery online.

E os números da companhia corroboram: o iFood processou quase 1,3 bi de pedidos em seu último ano fiscal — uma alta de 29% na comparação anual —, enquanto o valor bruto de mercadorias cresceu 32%. Além disso, as  estimativas do setor apontam que a plataforma conta com 55 milhões de usuários ativos e 400 mil estabelecimentos parceiros e operações em 1.500 cidades brasileiras.

Segundo o BTG, a vantagem do aplicativo não se resume apenas na quantidade de restaurantes cadastrados, mas também na frequência e retenção dos consumidores. A Prosus, controladora do iFood, afirma que os compradores únicos mensais no negócio principal de entrega de comida chegaram a 25 milhões.

Guerra do delivery

A saída do Uber Eats do Brasil, em 2022, evidenciou a dificuldade de competir em escala contra o marketplace do iFood.

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Na prática, os efeitos de rede da companhia — que combinam consumidores, entregadores, restaurantes, infraestrutura logística, ferramentas de publicidade e programas de fidelidade — criaram um ecossistema auto-reforçado extremamente difícil de replicar em nível nacional.

Além disso, segundo o BTG, outro fator é a expansão do iFood para além do serviço de entrega de restaurantes, adotando a estratégia de expansão para os setores de supermercado e farmácia.

“O ponto estratégico central é que o iFood não é mais apenas um marketplace de restaurantes. A Prosus separa explicitamente o ‘core food delivery’ das ‘iniciativas de crescimento’, e esses novos negócios estão se tornando cada vez mais relevantes para a trajetória da companhia”, aponta o relatório.

Para se ter ideia,no ano fiscal de 2025, a receita dessas iniciativas cresceu 34%, chegando a US$ 214 milhões, impulsionada principalmente pela expansão do marketplace de supermercados e por iniciativas de serviços financeiros. Dentro desse segmento, apenas a vertical de supermercados gerou US$ 78 milhões de receita, alta de 30%.

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“Estrategicamente, a empresa está aproveitando a mesma infraestrutura logística, tráfego de consumidores e rede de entregadores desenvolvidos para o delivery de restaurantes para expandir para categorias de consumo cotidiano”, destacam os analistas do BTG.

Operacionalmente, supermercados são mais complexos que restaurantes, porque os carrinhos de compra são maiores, as margens são mais apertadas e o fulfillment (processo completo de gestão de pedidos) exige melhor coordenação de estoque.

Por outro lado, o valor estratégico está na frequência de compra: os consumidores costumam pedir supermercado com muito mais frequência do que refeições, criando mais oportunidades de engajamento e monetização dentro da plataforma.

Esse o potencial dessas novas categorias, especialmente de supermercados, tem atraído concorrentes. A Amazon lançou recentemente o Amazon Now em São Paulo, oferecendo entregas de supermercado em até 15 minutos, enquanto o Mercado Livre (MELI34) continua expandindo suas parcerias com supermercados e iniciativas de entrega rápida.

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“Esses movimentos reforçam que o delivery de supermercado está se tornando o principal campo de batalha do ‘comércio cotidiano’ nas grandes cidades brasileiras”, diz o BTG.

O relatório ainda destaca que o segmento de farmácia é uma das verticais que mais crescem dentro do ecossistema do iFood, sendo que os pedidos cresceram 78% em 2024. Os analistas apontam que alguns fatores favorecem o segmento, como a urgência dos pedidos e a alta intenção de compra, ticket médio relativamente alto e raio de entrega curto.

Além disso, a categoria costuma ter forte demanda à noite ou em situações emergenciais, complementando os ciclos de demanda de restaurantes e supermercados.

Regulação

Apesar das vantagens, o BTG aponta que os obstáculos mais decisivos do iFood são regulamentários.

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Em 2023, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) interveio nas cláusulas de exclusividade do aplicativo com restaurantes, limitando contratos restritivos com grandes redes. Segundo o BTG, o objetivo foi “reduzir barreiras de entrada para plataformas concorrentes”.

Outra questão regulatória envolve o avanço da discussão sobre as relações trabalhistas dentro das plataformas de delivery, especialmente voltadas para os entregadores. “Caso haja mudanças relevantes, isso pode afetar a estrutura de custos das plataformas de delivery”, analisa o relatório.

Segundo as perspectivas do banco, apesar de liderar o setor de entregas, o cenário competitivo do iFood ainda é amplo, com concorrentes apostando em estratégias diferentes.

O Rappi e o Mercado Livre são exemplos desse caso, investindo em um sistema de entregas rápidas e ultrarrápidas, além de desenvolvimento de infraestrutura própria. No caso do Rappi, o destaque vai para as dark stores, enquanto o Mercado Livre possui dezenas de centros de distribuição e milhares de veículos de entrega.

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Para os analistas, o futuro da competição na categoria de delivery passa a ser menos sobre o investimento em seguimentos isolados e mais sobre a capacidade de desenvolvimento de plataformas completas, que podem se tornar “o padrão para o consumo cotidiano”.

*Com supervisão de Juliana Américo

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Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.
Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.

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