Iguatemi (IGTI11) cresce acima da inflação no 4T25, mas juros limitam avanço do caixa
No quarto trimestre de 2025 (4T25), a Iguatemi (IGTI11) entregou um retrato operacional robusto, com crescimento real de aluguéis, vendas acima da inflação e ocupação elevada, segundo analistas.
Com isso, as ações da companhia subiam 0,61%, por volta das 12h20 (horário de Brasília), cotadas a R$ 29,61.
Para o BTG Pactual, os números foram sólidos e reforçam a tese de crescimento real de aluguel, com manutenção da recomendação de compra. O banco destaca que a companhia segue entregando crescimento acima da inflação e operando com baixo custo de ocupação.
O Bradesco BBI também avaliou o trimestre como positivo, apontando que a Iguatemi superou pares como a Multiplan em indicadores como vendas mesmas lojas (SSS) e aluguéis mesmas lojas (SSR).
Para o BBI, a consolidação dos ativos premium fortalece o portfólio e sustenta a tendência operacional resiliente para os próximos anos.
Já a XP Investimentos classificou o resultado como positivo e reiterou a Iguatemi como sua principal escolha entre empresas de shopping.
A casa destacou a expansão de 11% da receita líquida no trimestre, o crescimento de 24,5% no aluguel percentual e a manutenção de custos de ocupação em patamar baixo, o que abre espaço para novos reajustes.
Apesar da pressão nos Fundos de Operações (FFO) por ação, a XP avalia que o desempenho operacional indica melhora na rentabilidade por metro quadrado e maior homogeneidade do portfólio.
O contraponto: pressão financeira
Se a operação foi destaque, o resultado financeiro trouxe cautela.
O fluxo de caixa operacional ajustado (AFFO) somou R$ 198 milhões, queda próxima de 10% na comparação anual, impactado por aumento de 77% nas despesas financeiras. O movimento reflete maior nível médio de dívida após aquisições e o ambiente de juros elevados.
A alavancagem medida por dívida líquida/Ebitda ajustado ficou em 1,68x no trimestre, ou 1,88x desconsiderando efeitos pontuais. A dívida líquida encerrou o período em aproximadamente R$ 2,2 bilhões.
O Itaú BBA destacou justamente esse ponto. Embora reconheça o bom desempenho operacional, o banco avalia que o avanço das despesas financeiras limitou a expansão do FFO por ação no trimestre.
Para o BBA, o ritmo de crescimento do caixa dependerá, daqui para frente, da trajetória dos juros e do controle da alavancagem após o ciclo de M&A.
O que fica para 2026
O 4T25 confirma uma Iguatemi com operação resiliente, crescimento real de aluguel e ocupação elevada, disseram os analistas.
O desafio, segundo analistas, está menos na performance dos shoppings e mais no custo do capital.
Caso o ambiente de juros se torne mais favorável, a combinação de portfólio premium e crescimento acima da inflação pode ganhar ainda mais tração, afirmaram.