Imóveis caros? Percepção de preço começa a cair, mostra levantamento
Mesmo com parte relevante dos brasileiros ainda avaliando os preços dos imóveis como elevados, a percepção de “caro” começa a perder força — movimento que pode acender um sinal para o investidor.
A Pesquisa Raio-X, divulgada pelo FipeZap, mostra que, entre os consumidores que adquiriram imóveis recentemente, a percepção de preços elevados perdeu força ao longo de um ano. A fatia que classificava os valores como “altos” ou “muito altos” recuou de 76% no quarto trimestre de 2024 para 64% no quarto trimestre de 2025.
No mesmo intervalo, o percentual dos que avaliam os preços em um “nível razoável” mostrou leve variação, passando de 17% para 18%. Já a parcela que considera os imóveis “baixos” ou “muito baixos” avançou de 3% para 5%.
Para o investidor imobiliário, a fotografia é relevante. Embora a percepção de “caro” ainda seja majoritária, o avanço da fatia que vê preços justos sugere um ambiente menos pressionado do que em trimestres anteriores, o que pode favorecer a recomposição gradual da demanda.
Na percepção agregada entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, a fatia de entrevistados que classificava os preços dos imóveis como “altos” ou “muito altos” recuou de 78% para 73%, segundo a pesquisa.
Em sentido oposto, o percentual dos que avaliam os valores como “razoáveis” avançou de 15% para 17%. Já a parcela que considera os preços “baixos” ou “muito baixos” apresentou leve alta, de 2% para 3%.
Expectativa de preço
Além da mudança no sentimento agregado, a pesquisa mostra que as expectativas variam de forma significativa entre os diferentes perfis de respondentes.
Entre aqueles que compraram um imóvel nos últimos 12 meses, a expectativa é de uma valorização média de 7,7% nos próximos 12 meses. Apesar de elevada, essa projeção é ligeiramente inferior à observada um ano antes, quando era de 8,2%.
Já os proprietários — que adquiriram imóvel há mais de um ano — projetam uma alta mais moderada, de 4,2%, acima dos 3,8% registrados no quarto trimestre de 2024.
Por outro lado, entre os compradores potenciais, a expectativa segue bem mais contida: a alta média projetada é de 1,7%, ante 0,5% no mesmo período do ano anterior. Ainda que tenha havido leve avanço, o grupo permanece o mais conservador em relação ao comportamento dos preços.
Com isso, a expectativa média agregada de valorização passou de 2,5% para 3,3% na comparação anual.
Os números revelam um mercado dividido: quem já está posicionado mantém projeções mais robustas de alta, enquanto quem ainda pretende entrar segue mais cauteloso. No agregado, há melhora nas expectativas, mas longe de um cenário de euforia — o que reforça a leitura de um ciclo mais moderado para os preços no curto prazo.
No horizonte de longo prazo, a percepção dos entrevistados segue majoritariamente positiva, mas com nuances importantes.
Considerando a amostra do quarto trimestre de 2025, 36% projetam que os preços dos imóveis devem subir acima da inflação nos próximos anos. Outros 27% esperam uma valorização em linha com o índice de preços ao consumidor, enquanto 13% indicam que a alta tende a ficar abaixo da inflação.
Ao mesmo tempo, chama atenção o contingente de indecisos: 24% dos respondentes afirmaram não saber opinar sobre o comportamento dos preços no longo prazo.
O retrato sugere que, embora a maioria ainda veja o imóvel como um ativo capaz de preservar ou ampliar valor real ao longo do tempo, há um nível relevante de incerteza, refletindo um ambiente macroeconômico que ainda exige cautela nas projeções mais esticadas.