Indústria de café do Brasil espera recuperação após ver consumo cair em 2025
A indústria torrefadora de café do Brasil projeta um ano de recuperação de consumo no país, após o setor lidar com uma queda na demanda em 2025 decorrente da alta de preços no varejo, afirmaram nesta quinta-feira executivos da associação Abic.
O consumo de café no Brasil recuou 2,31% no período de novembro de 2024 a outubro de 2025, para 21,4 milhões de sacas de 60 kg, ante o ciclo anterior, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
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O país, segundo maior consumidor de café do mundo, que está atrás dos Estados Unidos por uma diferença de cerca de 5 milhões de sacas, registrou em 2025 a primeira queda anual no consumo desde 2022, ficando mais distante do recorde visto em 2017, de 22 milhões de sacas, segundo dados da associação.
Pavel Cardoso, presidente da Abic, citou um aumento da safra de 2026 do Brasil (maior produtor global) entre os fatores que devem ajudar a manter os preços arrefecidos após um período de fortes altas, ajudando a demanda interna.
Uma esperada redução da volatilidade também deverá favorecer as margens da indústria, “machucadas” nos últimos anos, apesar de uma disparada do faturamento do setor em 2025, afirmou Pavel, ressaltando que as empresas geralmente seguram o quanto podem os repasses de custos da matéria-prima.
“Sabendo que os aumentos (de preços) já chegaram na ponta, e potencialmente com a safra maior, mais confortável… seguramente teremos arrefecimento dessa volatilidades. Nós esperamos uma recuperação do consumo este ano”, disse ele, sem detalhar de quanto será a recuperação.
O dirigente da Abic disse que o desempenho do mercado no segundo semestre do ano passado já demonstrou uma melhora, após o consumo ter caído mais de 5% no início de 2025, quando consumidores ainda sentiram os repasses da disparada de preços da matéria-prima em 2024.
Cardoso ponderou que, ainda que haja expectativa de arrefecimento de volatilidade em 2026, não existem “grandes espaços para reduções substanciais (nos preços da matéria-prima), por conta dos estoques estarem historicamente baixos”, após um exaurimento das reservas de café nos últimos cinco anos, em meio a safras ruins.
Por problemas de colheita no Brasil e em outros países, a cotação da matéria-prima no país havia mais do que dobrado em 2024, o que fez a indústria seguir repassando preços em 2025, para tentar recompor margens, embora os valores pagos pelo grão verde tenham recuado ao longo do ano passado, segundo dados da Abic.
A Abic ponderou que nos últimos cinco anos a matéria-prima aumentou 201% (café conilon) e 212% (arábica), enquanto no varejo a alta foi de 116%.
Em 2025, o preço médio do café torrado no varejo do Sudeste atingiu máximas de mais de R$ 70/quilo, em julho, antes de recuar ao final do ano para quase R$ 60/quilo, ainda acima dos R$ 56,68 registrados em janeiro do ano passado.
Diante do aumento dos preços da commodity que foi repassado aos consumidores, o faturamento da indústria no Brasil subiu 25,6%, para R$ 46,24 bilhões no último ano, em relação ao período anterior.