Inflação

Inflação de fevereiro fica acima das expectativas; de onde veio a pressão e como fica a Selic?

12 mar 2026, 11:27 - atualizado em 12 mar 2026, 11:27
inflação ipca-15
(Imagem: REUTERS/Ricardo Moraes)

A alta na inflação de fevereiro, divulgada nesta quinta-feira (12), incomodou o mercado. Após um avanço de 0,70%, ante a mediana das projeções de 0,63% do Broadcast, analistas confirmam uma leitura pior da margem, antecipada pelo IPCA-15. No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu para 3,81%.

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Na avaliação do Banco Safra, a média dos núcleos registrou avanço de 0,62% no mês, em movimento de alta e influenciada sobretudo por serviços, sinalizando para o time de macroeconomia que a surpresa não se concentrou apenas em itens voláteis.

“Na abertura, a surpresa altista decorreu principalmente de bens industriais e serviços, enquanto administrados e alimentos ficaram em linha com a projeção”, apontaram os analistas do banco.

Entre os destaques, os bens industriais apresentaram alta disseminada, com pressão relevante em higiene pessoal, que subiu 0,92% no mês. Já os serviços avançaram 1,51%, impulsionados principalmente por serviços bancários e por uma deflação menor do que a esperada em itens como cinema, teatro e concertos.

Segundo o Safra, as métricas estruturais também mostraram deterioração na margem. Os serviços subjacentes avançaram 0,64% no mês, acima da projeção do banco, indicando pressões mais persistentes no setor. Ainda assim, a instituição avalia que o cenário segue compatível com um processo gradual de desinflação ao longo do ano e manteve a projeção de inflação em 3,7% para 2026.

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O que disse o Itaú BBA

Já o Itaú BBA afirmou que o resultado do IPCA veio próximo de sua estimativa, de 0,68%, mas também destacou um qualitativo um pouco pior do que o esperado. O banco destacou surpresas altistas em vestuário e cuidados pessoais, enquanto o item transporte por aplicativo ficou abaixo das expectativas.

Entre as medidas subjacentes, os serviços vieram acima do esperado, puxados principalmente por conserto de automóvel. Já os industriais subjacentes também surpreenderam para cima, com destaque para o avanço de vestuário.

Na média móvel de três meses, com dados dessazonalizados e anualizados, os serviços subjacentes aceleraram para 5,4%, ante 4,7% na leitura anterior. No mesmo período, a média dos núcleos avançou para 4,1%, de 4,0%.

Apesar do qualitativo mais pressionado, o BBA destacou que a aceleração em serviços ficou concentrada em itens mais voláteis, como seguro e conserto de automóvel. Para 2026, o banco manteve a projeção de inflação em 3,8%, mas apontou um balanço de riscos altista, especialmente diante do recente choque nos preços do petróleo.

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E o impacto na Selic?

Mesmo que a inflação tenha surpreendido negativamente, o mercado segue apostando em corte de 0,50 pontos percentuais na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março.

Apesar disso, para Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, o número fortalece as apostas em uma redução do ritmo de flexibilização para um corte de 0,25 pontos percentuais, principalmente por conta do ambiente de incertezas geopolíticas.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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