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Selic: “O Banco Central está disposto a cortar, quer cortar e vai cortar”, avalia analista da Empiricus

25 jun 2026, 14:00 - atualizado em 25 jun 2026, 14:29
Selic Copom juros
(Créditos: Rmcarvalho/iStock)

A inflação mais comportada no Brasil elevou as apostas de corte de juros no curto prazo. Ainda assim, a sinalização do Banco Central (BC) limita um otimismo mais amplo com o cenário à frente.

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Em junho, o IPCA-15 subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, acumulando alta de 4,80% em 12 meses. Mais do que o resultado cheio, a composição do indicador foi o que sustentou uma leitura mais positiva.

Segundo Laís Costa, analista da Empiricus Research, o headline veio abaixo da mediana das expectativas e o qualitativo também foi melhor. "Quando você olha a média dos núcleos, dá para dizer que teve um comportamento mais construtivo".

A melhora dos núcleos — que capturam a parte mais persistente da inflação — contribuiu para a reprecificação da curva de juros. Esse movimento já se reflete nas expectativas para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

“Houve um aumento da probabilidade de corte já na próxima reunião”, afirma Laís. Na visão dela, o ciclo de flexibilização deve continuar no curto prazo. “O Banco Central está disposto a cortar. Ele quer cortar e vai cortar.”

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O cenário internacional também contribui para esse ajuste. Nos Estados Unidos, o PCE subiu 0,4% em maio, abaixo do esperado, reduzindo a pressão sobre o Federal Reserve e abrindo espaço para flexibilização monetária — inclusive em economias emergentes.

“A curva de juros lá fora puxa para baixo, e isso ajuda muito. O Brasil não negocia em isolamento”, diz Laís.

BC levanta alerta para o médio prazo

Apesar da melhora nos dados correntes, o BC adotou um tom mais cauteloso em seu Relatório de Política Monetária. A autoridade elevou para 79% a probabilidade de estouro do teto da meta de inflação e revisou a projeção de crescimento do PIB para 2%.

Para a analista, o ponto central está na reação da autoridade monetária ao cenário. “O que parece é que temos uma função de reação muito mais sensível à atividade do que à inflação”, afirma.

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Essa postura limita uma melhora mais consistente das expectativas de longo prazo, mesmo diante de dados pontualmente positivos. “Embora o dado recente tenha sido melhor, quando ampliamos o horizonte, ainda vemos um viés mais altista para a inflação”, diz.

A revisão para cima do crescimento econômico reforça um quadro de atividade resiliente, o que tende a dificultar a convergência da inflação à meta. Isso também aparece nas projeções: “Seguimos com 5,6%, ainda bastante acima do objetivo”, afirma Laís.

Na prática, o alívio recente da inflação melhora o cenário de curto prazo e dá suporte aos ativos. No entanto, a comunicação do Banco Central mantém elevado o prêmio de risco, especialmente na curva de juros.

*Sob supervisão de Juliana Américo

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Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
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