CPI

Inflação moderada dos EUA está com os dias contados; CPI de março pode acelerar para 0,67%

11 mar 2026, 13:06 - atualizado em 11 mar 2026, 13:06
EUA PCE Inflação
(Imagem: REUTERS/Bing Guan)

A inflação de fevereiro dos Estados Unidos, medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), veio em linha com o esperado pelo mercado financeiro. No mês, o índice subiu 0,3% e acumulou uma alta 2,4% nos últimos 12 meses.

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Vale destacar que, apesar de não apresentar nenhuma surpresa, o número segue acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed).

Entre os principais vetores que contribuíram para a alta no segundo mês do ano está o grupo de habitação, que avançou 0,2% em fevereiro e foi o principal fator de pressão sobre o índice, igualmente ao mês anterior.

Quanto ao núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e apresentou pequena desaceleração em 12 meses, de 2,51% para 2,47%.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destaca que as médias móveis de três e seis meses, tanto do índice cheio quanto do núcleo, seguem apontando desaceleração, com exceção do núcleo na média de três meses.

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Embora os números mostrem uma inflação mais moderada, ela pode estar com os dias contados. Isso porque a guerra no Oriente Médio, que tem mexido com o preço do petróleo, ainda não entrou na conta.

“O dado mostra estabilidade da inflação sem uma aceleração significativa. Talvez a palavra aqui seja ainda, uma vez que o preço do petróleo não gerou tanto impacto na inflação ainda”, ressalta William Castro, estrategista -chefe da Avenue. “Isso reforça a trajetória de moderação gradual nesse início de 2026, mas que pode ter vida curta”.

Março já deve mostrar os sinais

Na avaliação do UBS, o choque recente nos preços de energia pode começar a aparecer nos dados já nas próximas leituras do índice. O banco destaca que os preços da gasolina nos Estados Unidos subiram rapidamente desde o fim de fevereiro, acompanhando a disparada do petróleo Brent, que saltou de cerca de US$ 71 por barril para a casa de US$ 90 nas últimas semanas.

Segundo a instituição, uma regra empírica indica que cada aumento permanente de US$ 10 no preço do barril tende a elevar o nível do CPI em aproximadamente 0,4%. A maior parte desse impacto ocorre no curto prazo, por meio do avanço da gasolina, responsável por cerca de 0,25 a 0,30 ponto percentual dessa alta.

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Diante desse cenário, o UBS projeta que a inflação de março pode acelerar para 0,67% na comparação mensal, com ajuste sazonal. Caso essa trajetória se confirme, a inflação anualizada poderia subir de 2,4% observados em janeiro e fevereiro para cerca de 3,3% em maio, antes de voltar a desacelerar ao longo do restante do ano.

Além da pressão direta sobre os preços, os economistas do banco alertam que o aumento do custo da energia também pode trazer efeitos mais amplos para a economia americana. Gasolina mais cara tende a reduzir o poder de compra das famílias e redirecionar gastos, o que pode pesar sobre o consumo, principal motor do PIB dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o UBS avalia que os riscos para a política monetária do Federal Reserve se tornaram mais equilibrados. Mesmo que o banco ainda projete dois cortes de juros de 25 pontos-base no segundo semestre, a instituição reconhece que o cenário pode mudar caso a inflação volte a ganhar força com o choque do petróleo.

A ferramenta CME FedWatch indica que os juros dos EUA devem ser mantidos no patamar atual de 3,50%- 3,75% na reunião de março, com 99,4% das apostas. Para as próximas três reuniões, a manutenção da taxa também aparece como o cenário mais provável.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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