Entrevista

Inflação atual permitiria redução maior da Selic este ano, mas eleições limitam cortes, diz analista

13 fev 2026, 7:00 - atualizado em 12 fev 2026, 13:51
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(Imagem: iStock/ Rmcarvalho)

O mercado já tem uma certeza sobre a política monetária do Brasil: o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai cortar os juros em março 

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A última decisão do Comitê, em janeiro, sinalizou o início do afrouxamento monetário já na próxima reunião e a confirmou na ata da decisão 

corte de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 14,50% ao ano, também é visto como consenso pela maioria do mercado, de acordo com a precificação na curva de juros futuros.  

Os agentes financeiros também já precificam cortes em todas as reuniões do Comitê ao longo de 2025 – projetando uma Selic em 12,25% em dezembro.  

A principal dúvida agora é: qual será o ritmo e magnitude de cortes nos juros até dezembro? Para Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad, há um espaço maior para cortes nos juros do que o atualmente precificado.  

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“A simetria do Brasil é para mais cortes. Hoje, a expectativa para inflação é de quase 4% no final do ano e com os juros que o mercado projeta [de 12,25% em dezembro], a gente está falando de uma taxa de juros real perto de 8%. É extremante elevado”, afirmou Shahini, em entrevista ao Money Times.  

“Seguindo essa lógica, o Banco Central tem um orçamento de corte maior do que o mercado precifica”, acrescentou.  

Essa avaliação é sustentada, segundo o especialista da Nomad, pela desaceleração recente da inflação, movimento que também já foi reconhecido pelo Banco Central. 

Na ata da última reunião, o Copom destacou que a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento recente, embora ainda permaneçam acima da meta. 

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Além do comportamento da inflação, o enfraquecimento do dólar também favorece a expectativa de maior afrouxamento monetário. “Lembrando que o dólar é um componente importante da cesta de consumo brasileiro, a divisa mais fraca vem ajudando o IPCA”, destacou Shahini.  

O cenário eleitoral, porém, deve limitar essa ‘janela’ de cortes mais agressivos na Selic, diante do aumento da volatilidade no mercado no segundo semestre.  

“Se não fosse um ano eleitoral, eu diria que a gente poderia até ter mais cortes. A Selic poderia cair para 10% tranquilamente”, disse o especialista da Nomad. 

“Mas dado o ano eleitoral, eu estimo que o Banco Central, que já tem uma retórica conservadora, vai continuar sendo mais cauteloso e vai esperar para ver como será a dinâmica inflacionária, tanto corrente quanto as expectativas do mercado”, acrescentou.  

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Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad (Foto: Divulgação)
Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad (Foto: Divulgação)

Juros nos EUA  

Nos Estados Unidos, o mercado também projeta cortes de juros ao longo deste ano, com ao menos duas reduções já precificadas. 

“O que importa é onde a taxa vai parar. O mercado hoje precifica algo perto de 3%. Qualquer coisa muito diferente disso pode ter efeitos relevantes sobre a força do dólar”, avalia Shahini. Atualmente, os juros americanos estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.  

O especialista da Nomad lembra que o mercado de trabalho mais resiliente ao longo do ano passado deu respaldo ao ciclo de cortes promovido pelo Federal Reserve (Fed), em linha com o duplo mandato da autoridade monetária — inflação e emprego. Entre setembro e dezembro, o Fed fez três cortes consecutivos, reduzindo as taxas da faixa de 4,25% a 4,50% para 3,50% a 3,75% ao ano.  

Agora, porém, a principal preocupação voltou a ser a inflação, de acordo com as comunicações mais recentes do BC norte-americano.  

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“A inflação medida pelo PCE [sigla em inglês para índice de preços de gastos com consumo pessoal e referência inflacionária para o Fed] ainda permanece acima da meta. Com isso, o Fed deve se manter ainda dependente de dados”, destacou Shahini.  

Além disso, há uma ‘incógnita’ adicional no radar: Kevin Warsh no comando do Fed. O ex-diretor do BC foi indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de janeiro, e, caso tenha o nome aprovado pelo Senado, deve assumir a presidência da autoridade monetária após o fim do mandato de Jerome Powell, em maio. 

Considerado um nome técnico e mais independente do que outros cotados, Warsh foi bem recebido pelo mercado. “Dado o conjunto de nomes que estavam sendo cogitados, a indicação foi positiva. O mercado vê nele alguém com mais independência para conduzir a política monetária”, afirmou Shahini. 

“Essa mudança [no comando] é relevante no sentido de como vai ser a transição [de Powell para Warsh], se a gente vai ver um Fed com menos intervenção no mercado e com menor atuação via títulos [públicos]”, acrescentou.  

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Warsh, nos últimos anos, passou a criticar publicamente algumas práticas do Fed, como o tamanho do balanço patrimonial e a manutenção prolongada de políticas monetárias expansionistas.  

Em suas últimas declarações, o indicado ao Fed defendeu que a redução das reservas de títulos do BC – de mais de US$ 6 trilhões – permite cortar as taxas sem causar aumento na inflação.  

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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