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Instagram financia vídeos de famosos desde que evitem política

11/11/2019 - 8:58
Facebook CEO Mark Zuckerberg
(Imagem: Andrew Harrer/Bloomberg)

O Instagram está disposto a bancar os custos de produção de vídeos de algumas celebridades, contanto que o conteúdo não seja sobre política ou eleições.

Os que recebem recursos do Instagram para produzir conteúdo para o IGTV, o aplicativo para vídeos mais longos, “não devem incluir conteúdo sobre questões sociais, eleições ou política”, segundo um contrato distribuído pela empresa aos responsáveis por conteúdo e agentes. A Bloomberg News obteve uma cópia do documento.

A cláusula alarmou alguns dos influenciadores e produtores que foram abordados sobre a publicação de clipes no IGTV, de acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto, que não quis ser identificada.

É um forte contraste com a política do Facebook, que controla o Instagram e tem defendido vigorosamente o discurso político on-line. O Facebook tem sido alvo de fortes críticas por permitir que os políticos mintam em propagandas na rede social.

O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, argumenta que a liberdade de expressão e o debate político são muito importantes para policiar propaganda política. O contrato do IGTV no Instagram entra em conflito com esse ethos ao restringir o discurso político alinhado com o pagamento.

Donald Trump
Facebook tem sido criticado desde que partidos estrangeiros usaram a rede social da empresa para interferir nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos (Imagem: Andrew Harrer/Bloomberg)

“Nos últimos anos, compensamos pequenos custos de produção para produtores de vídeo em nossas plataformas e implementamos certas diretrizes”, disse um porta-voz do Facebook. “Acreditamos que há uma diferença fundamental entre permitir conteúdo político” em nossa plataforma e financiá-lo.

A política é exclusiva do Instagram. No Facebook Watch, a empresa também lida com produtores de conteúdo, mas os parceiros incluem organizações de notícias que precisam falar sobre política.

O Facebook tem sido criticado por disseminar informações enganosas e falhar no combate à manipulação eleitoral em suas plataformas, desde que partidos estrangeiros usaram a rede social da empresa para interferir nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos.

Governos de todo o mundo pressionaram o Facebook para melhorar o monitoramento de notícias e anúncios políticos, enquanto ativistas de direitos civis disseram que Zuckerberg deveria intervir para suspender campanhas nas redes sociais da empresa que desincentivam eleitores a votar.

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O Instagram recebeu muito menos escrutínio, mas a liderança da empresa ainda está preocupada com a forma como o aplicativo será usado antes das eleições de 2020. “Somos um alvo tão grande quanto o Facebook, se não um alvo maior”, disse em outubro Adam Mosseri, responsável pelo Instagram.

O IGTV estreou em junho de 2018 como a resposta do Instagram ao YouTube, o site de vídeos mais popular do mundo.

Embora a empresa tenha imaginado que poderia atrair muitos dos 1 bilhão de usuários do Instagram para este novo canal, a iniciativa ainda não deslanchou. Poucos usuários assistem ao IGTV e, meses após seu lançamento, muitas das contas mais populares do Instagram nunca postaram no serviço de vídeo.

Última atualização por Lucas Simões - 11/11/2019 - 8:58