Economia

IPCA-15 desacelera em janeiro; qual o impacto sobre a Selic? Economistas comentam

27 jan 2026, 12:06 - atualizado em 27 jan 2026, 12:06
banco central PIX inflação selic ipca copom juros
IPCA-15 de janeiro desacelera para 0,20%, abaixo do esperado; serviços seguem pressionados, mas impacto não muda cenário do Copom. (Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) veio ligeiramente melhor do que o esperado em janeiro: o indicador desacelerou para 0,20%, abaixo dos 0,23% previstos pelo mercado. Com isso, o país registrou a segunda menor taxa de inflação para meses de janeiro desde a implementação do Plano Real, atrás apenas dos 0,11% observados em janeiro de 2025.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar da melhora na trajetória de preços, o resultado não deve alterar os rumos da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, iniciada nesta terça-feira (27). As projeções são de manutenção da Selic em 15% ao ano até a reunião de março.

O Itaú BBA destaca que, embora o IPCA-15 tenha vindo qualitativamente melhor do que o esperado, os itens mais sensíveis à mão de obra seguiram acelerando, refletindo a resiliência do mercado de trabalho.

“Na decomposição do dado, destacamos surpresas baixistas em serviços de veículos e artigos para o lar. Já o item higiene pessoal veio acima das expectativas. Quanto aos núcleos, os serviços subjacentes ficaram abaixo do esperado, puxados por consertos de automóveis, enquanto os industriais subjacentes vieram acima, puxados por higiene pessoal”, apontam os analistas em relatório.

Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, também afirma que a inflação de serviços permanece elevada nos setores sensíveis à mão de obra, enquanto a inflação de bens industriais acelerou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo ele, a leitura de janeiro foi beneficiada por menor variação em serviços e por resultados negativos em preços regulados e administrados — especialmente tarifas de transporte urbano e de energia residencial —, compensados por altas em alimentos para consumo doméstico e bens industriais. A inflação surpreendeu para cima em bens industriais, telecomunicações e cuidados pessoais/higiene, e para baixo em alimentos para consumo doméstico e núcleo de serviços.

“Um cenário de dinâmica inflacionária ainda desafiadora — com núcleo de serviços em 5,6% no ano, expectativas de inflação de curto e médio prazo desancoradas, hiato positivo, mercado de trabalho apertado, estímulos quase-fiscais e de crédito em curso e previsões de inflação acima da meta no horizonte relevante para a política monetária — exige uma calibragem conservadora da política monetária no curto prazo”, afirma Ramos. “A política monetária restritiva está operando como esperado, criando gradualmente condições para o início de um ciclo moderado de normalização de juros, provavelmente na reunião de março.”

Para Alexandre Maluf, economista da XP, o IPCA-15 trouxe algumas surpresas. Entre os efeitos baixistas, destacam-se o emplacamento e licenciamento de veículos — impactados por um desconto de 50% no Paraná —, a alimentação no domicílio e a energia elétrica residencial. Já os itens que pressionaram a inflação para cima incluem higiene pessoal, aparelhos telefônicos e celulares, seguros de veículos voluntários e combustíveis, com a gasolina subindo 1% e o etanol mais de 3,5% na entressafra.

“Considerando todos esses fatores, não vemos, de fato, uma melhora adicional. O IPCA-15 veio relativamente em linha com sua composição: a inflação de bens, tanto alimentos quanto industrializados, permanece baixa, compatível com o cumprimento da meta, enquanto a inflação de serviços continua elevada”, pondera Maluf.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Do ponto de vista da política monetária, este resultado isolado não é um game changer e não muda a postura do Copom. Pelo contrário, reforça a cautela que o comitê vem adotando em várias reuniões recentes”, completa o economista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
Linkedin
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
Linkedin

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar