Inflação

IPCA-15: Prévia da inflação de fevereiro assusta, puxada pelos aumentos em educação e passagens aéreas

27 fev 2026, 12:02 - atualizado em 27 fev 2026, 12:02
IPCA-15 inflação
(Imagem: Gadini/pixabay)

O mercado olha com cautela para os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de fevereiro, divulgado nesta sexta-feira (27). A prévia da inflação subiu 0,84% no segundo mês do ano, bemacima das exceptivas do mercado, que eram de 0,56%, mas ainda abaixo do resultado de um ano atrás.

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Em fevereiro do ano passado, o índice havia subido 1,23%. Essa redução reforça, segundo Sérgio Santos, economista do Sistema Ailos, o processo de desinflação pelo qual a economia brasileira vem passando.

Entre os grupos que compõem o índice, Educação foi a maior alta do mês, com 5,20%, representando uma contribuição de 0,28 pontos percentuais no índice geral.

“Quando analisamos a inflação de fevereiro, existe uma sazonalidade latente: é um mês em que a inflação costuma vir um pouco mais alta do que nos demais, pois ocorrem reajustes anuais nos preços praticados pelo setor de educação no início do ano letivo”, avalia Santos.

Outro grupo que pesou para que o IPCA-15 viesse acima das projeções foi o de Transporte, com uma alta de 1,72%, o que representa 0,35 pontos percentuais no índice cheio.

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Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a surpresa se concentra nos itens mais voláteis, como é o caso das passagens aéreas, que subiram 11,64%, o seguro voluntário de veículos, com alta de 5,62%, e a gasolina, com 1,30%. 

Destaques positivos e acumulado em 12 meses

Entre os destaques positivos, o grupo Alimentação registrou alta mensal de 0,2%. Entre as principais quedas estão o arroz, que recuou 2,47%, enquanto o frango caiu 1,55% — dois produtos amplamente presentes na mesa do brasileiro, que ajudaram a aliviar a pressão dentro do grupo no período.

No acumulado dos 12 meses, o IPCA-15 desacelerou de 4,50% para 4,10% e voltou a se afastar do limite superior da meta. Porém, Moreno, do C6, destaca que parte desse movimento se deve a um efeito estatístico: a inflação elevada de fevereiro do ano passado – pressionada pelas contas de luz – saiu da base de comparação, o que ajudou a reduzir o índice registrado em 12 meses.

Enquanto isso, a inflação de serviços subjacentes, que exclui itens mais voláteis, como passagens aéreas,  permaneceu em 5,6% nos 12 meses até fevereiro, um patamar considerado elevado pelo economista. 

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Confira detalhes do IPCA-15

Grupo Variação (%) Janeiro Variação (%) Fevereiro Impacto (p.p.) Janeiro Impacto (p.p.) Fevereiro
Índice Geral 0,20 0,84 0,20 0,84
Alimentação e bebidas 0,31 0,20 0,07 0,04
Habitação -0,26 0,06 -0,04 0,01
Artigos de residência 0,43 0,21 0,02 0,01
Vestuário 0,28 -0,42 0,01 -0,02
Transportes -0,13 1,72 -0,03 0,35
Saúde e cuidados pessoais 0,81 0,67 0,11 0,09
Despesas pessoais 0,28 0,20 0,03 0,02
Educação 0,05 5,20 0,00 0,32
Comunicação 0,73 0,39 0,03 0,02

Não foi tão ruim, mas deve impactar corte da Selic

Olhando para o mês de fevereiro, de fato, os economistas avaliam que o dado não foi tão ruim, apesar de bem acima das expectativas. Porém, a questão fica no futuro. Essa alta acima do projetado acende um sinal de alerta em relação à perspectiva de melhora estrutural da inflação ao longo do ano.

Para o C6 Bank, a queda das commodities em reais ajudou a conter os preços de alimentos e bens industriais, mas, apesar do alívio pontual no índice cheio, o banco acredita que a inflação deve voltar a subir no 2º semestre deste ano.

“Nossa projeção para 2026 e 2027 é de um IPCA a 4,5%, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pela nossa perspectiva de leve desvalorização do real”, destaca Moreno.

A Genial Investimentos também reforça a cautela ao longo do ano e demonstra preocupação com o que esse número pode representar para o Banco Central, que avalia de perto os dados de inflação para decidir sobre o esperado corte da taxa de juros.

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“A avaliação da Genial é que o número de fevereiro reforça a necessidade de cautela do Banco Central, reduzindo a probabilidade de um corte de 75 bps e aumentando a chance de 25 bps. Ainda assim, enxergamos que há maior chance de um corte de 50 bps.”

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua há 3 anos na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua há 3 anos na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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