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IPCA desacelera em dezembro, mas termina o ano a 10,06%, maior taxa desde 2015

11/01/2022 - 9:04
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Em dezembro de 2021, a inflação foi 0,22 ponto percentual abaixo da taxa de 0,95% registrada em novembro. (Imagem: Reuters/Amanda Perobelli)

A inflação medida pelo IPCA desacelerou para 0,73% em dezembro, fechando o ano com aumento de 10,06%, informou o IBGE nesta terça-feira (11).

O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava alta de 0,65% em dezembro na comparação mensal, levando a inflação para 9,97%, segundo consenso Refinitiv.

O taxa de 2021 é a maior acumulada no ano desde 2015, quando foi de 10,67%, e extrapolou a meta de 3,75% definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2021, cujo teto era de 5,25%.

Em dezembro de 2021, a inflação foi 0,22 ponto percentual abaixo da taxa de 0,95% registrada em novembro.

Peso dos combustíveis

O resultado de 2021 foi influenciado principalmente pelo grupo transportes, que apresentou a maior variação (21,03%) e o maior impacto (4,19 p.p.) no acumulado do ano, disse o IBGE.

Em seguida vieram habitação (13,05%), que contribuiu com 2,05 p.p., e alimentação e bebidas (7,94%), com impacto de 1,68 p.p. Juntos, os três grupos responderam por cerca de 79% do IPCA de 2021.

“O grupo dos transportes foi afetado principalmente pelos combustíveis”, explica o gerente do IBGE, Pedro Kislanov.

“Com os sucessivos reajustes nas bombas, a gasolina acumulou alta de 47,49% em 2021. Já o etanol subiu 62,23% e foi influenciado também pela produção de açúcar”, diz.

O IBGE informou que outro destaque nos transportes foi o preço dos automóveis novos (16,16%) e usados (15,05%), desempenho explicado pelo desarranjo na cadeia produtiva do setor automotivo.

“Houve uma retomada na demanda global que a oferta não conseguiu suprir, ocorrendo, por exemplo, atrasos nas entregas de peças e, as vezes do próprio automóvel”, diz Kislanov.

Energia elétrica

Já no grupo habitação, a principal contribuição (0,98 p.p.) veio da energia elétrica (21,21%), segundo o instituto, que comenta que, ao longo do ano, além dos reajustes tarifários, as bandeiras foram aumentando, culminando na criação de uma nova bandeira de Escassez Hídrica.

“Isso impactou muito o resultado de energia elétrica, que tem bastante peso no índice”, explica Kislanov. Ele destaca, ainda, no grupo habitação, o item gás de botijão (36,99%), que subiu em todos os meses de 2021 e teve o segundo maior impacto no grupo, de 0,41 p.p.

No grupo Alimentação e bebidas, a variação de 7,94% foi menor que a do ano anterior (14,09%), quando contribuiu com o maior impacto entre os grupos pesquisados.

Ainda assim, Kislanov destaca alguns itens, como o café moído, que subiu 50,24%, e o açúcar refinado, que teve alta de 47,87%.

“A alta do café ocorreu principalmente no segundo semestre, pois a produção foi prejudicada pelas geadas no inverno. Já o preço do açúcar foi influenciado por uma oferta menor e pela competição pela matéria prima para a produção do etanol”.

Além disso, o grupo dos vestuários (10,31%) fechou 2021 com a quarta maior variação entre os grupos. “Este tinha sido o único grupo com queda em 2020”, diz o gerente do IBGE.

“Em 2021, apresentou uma recuperação de preços, relacionada à retomada da circulação de pessoas, mas também ao aumento dos custos de produção, devido a alta dos preços do algodão e do couro. Além disso, tem o componente sazonal do final de ano”.

Resultado de dezembro

Em dezembro, todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta e a maior variação veio de vestuário (2,06%), que acelerou em relação a novembro (0,95%), segundo o IBGE.

O maior impacto (0,17p.p) foi de alimentação e bebidas, que subiu 0,84% no mês. Kislanov destaca as altas nos preços do café moído (8,24%), das frutas (8,60%) e das carnes, que subiram 1,38% em dezembro após uma queda de 1,38% em novembro.

“No caso das carnes, além do aumento da demanda no fim do ano, houve a questão do embargo chinês, imposto em setembro e retirado em meados de dezembro. Isso pode ter afetado os preços também”, ressalta.

O IBGE chama a atenção ainda para a desaceleração observada no grupo dos transportes (de 3,35% para 0,58%), consequência principalmente da queda no preço dos combustíveis (-0,94%), depois de sete meses seguidos de alta. “Mesmo assim, ainda houve alta nos transportes”, observa o gerente do instituto.

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Última atualização por Kaype Abreu - 11/01/2022 - 9:19

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