Reportagem Especial

IPOs: ‘Vejo esforço das pessoas querendo acreditar que existe uma janela’, diz diretor da BR Partners (BRBI11)

27 fev 2026, 7:00 - atualizado em 26 fev 2026, 18:02
Vinicius Carmona
"Posso queimar minha língua, mas me surpreenderia muito se começasse uma onda de IPOs já em março.", diz Carmona (Imagem: Divulgação)

O ano começou quebrando uma marca negativa: após quatro anos sem ofertas, uma brasileira voltou a abrir capital. O PicPay conseguiu tocar o sino da Nasdaq, nos Estados Unidos. Logo depois, o AgiBank também estreou no mercado acionário, levantando US$ 276 milhões.

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Com o Ibovespa nas máximas históricas e a expectativa de queda dos juros por aqui no radar, parte do mercado começa a falar em reabertura da janela de IPOs.

No Brasil, Aegea e BRK Ambiental estão entre as mais avançadas. Nesta semana, a Cosan informou que estuda abrir o capital da Compass. O próprio CEO da B3 (B3SA3), Gilson Finkelsztain, afirmou que o movimento pode ser o “prenúncio de uma onda de aberturas de capital”.

Mas há quem discorde.

‘Mais esforço para acreditar do que janela aberta’

Para o BR Partners (BRBI11), a leitura é mais cautelosa. O diretor de RI e Assuntos Institucionais, Vinicius Carmona, afirma que ainda é cedo para falar em retomada consistente.

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“Se houver uma abertura consistente para o mercado de capitais, isso é positivo também para M&A (fusões e aquisições), pois aumenta a liquidez e o giro de mercado. Mas, em fevereiro, ainda é muito incipiente afirmar que existe uma janela de IPOs”, disse em entrevista ao Money Times.

Ele lembra que, até agora, houve apenas dois IPOs — ambos no exterior. Um saiu bem precificado; o outro, com desconto relevante.

“Isso está muito distante de 2021, quando o Brasil teve mais de 40 IPOs. Ali, sim, havia uma janela clara.”

Além disso, muitas empresas já listadas querem fazer follow-ons (ofertas subsequentes). Entre elas, Riachuelo e Banco Pine. A Copasa é uma das mais aguardadas, já que a oferta pode marcar sua privatização.

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“A pergunta é: o investidor vai priorizar um IPO ou aportar em empresas que já conhece?”, questiona Carmona.

Juros ainda pesam

Mesmo com a possibilidade de queda, a Selic deve encerrar o ano perto de 13% — ainda em patamar elevado. Segundo Carmona, a drenagem de recursos para a renda fixa continua forte.

Em sua visão, com a Selic a 15% e spreads que levam a retornos próximos de 16% ao ano praticamente livres de risco, “é difícil competir com a renda fixa”.

“Por que eu vou tomar risco em IPO? Começa aí. Eu mesmo, como pessoa física aqui, vou tomar risco em IPO, sendo que eu posso ficar ali em um CDB me dando 15% ao ano? Não vou nem a pau”.

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Pode haver surpresa?

Para o executivo, uma reviravolta dependeria principalmente do cenário político. Um candidato com discurso claro de compromisso fiscal poderia reduzir os prêmios de risco nos títulos longos e abrir espaço para ofertas no segundo semestre.

“Posso queimar minha língua, mas me surpreenderia muito se começasse uma onda de IPOs já em março.”

Pesquisa recente da Atlas/Bloomberg mostrou redução na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno — sinal de um cenário ainda competitivo para a direita nas eleições presidenciais deste ano.

M&A pode sair na frente

O BR Partners reportou lucro líquido de R$ 44,5 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 5,7% na comparação anual. No acumulado do ano, porém, o ganho foi de R$ 175,1 milhões, queda de 9,6%. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) fechou dezembro em 22,4%, acima dos 20,4% de um ano antes.

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Segundo Carmona, a diversificação ajudou o banco a atravessar o período fraco para fusões e aquisições. As receitas de banco de investimento e mercado de capitais somaram R$ 304 milhões em 2025, recuo de 13,8%.

“A gente passou o ano sem demitir ninguém, mesmo em um momento difícil de M&As. Inclusive, contratamos para reforçar o time.”

O banco também quer crescer em wealth management. Hoje, administra cerca de R$ 6 bilhões e pretende se tornar um player relevante na vertical nos próximos três anos — seja via contratação de bankers, seja por aquisições.

“Não teremos outra rota que não aumentar o time ou comprar alguém.”

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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