Taxa Selic

Itaú BBA ainda vê espaço para corte da Selic na próxima reunião do Copom

17 jun 2026, 20:30 - atualizado em 17 jun 2026, 20:30
Itaú
(Imagem: Reuters/Amanda Perobelli)

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (17) ainda está sendo digerido pelo mercado, mas para o Itaú BBA a leitura é de que o Banco Central ainda deixou espaço relevante para continuidade do ciclo de cortes de juros.

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Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú BBA, avaliou que o documento do Copom manteve uma “porta aberta” para novos cortes já na próxima reunião, ainda que sem qualquer compromisso explícito.

O principal ponto de atenção, segundo ele, foi a sinalização antecipada da chamada rolagem do horizonte relevante da política monetária. Na prática, trata-se de uma mudança técnica na forma como o BC enxerga o período futuro da inflação, mas que pode ter impacto direto na leitura da trajetória de juros.

Para Gonçalves, o Copom chegou a antecipar uma espécie de “projeção da projeção”. Isso porque, ao considerar esse novo horizonte, as simulações indicariam que a inflação projetada, sob a trajetória atual de juros, ficaria abaixo da meta.

“Ele está dizendo que quando houver a rolagem do horizonte relevante na próxima reunião, a inflação projetada ficaria abaixo da meta. Isso abre espaço para corte”, resumiu o economista.

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Outro ponto destacado é que o comunicado também menciona a suavização dos efeitos da política monetária sobre agregados macroeconômicos. Na avaliação do Itaú BBA, isso sugere uma postura de ajuste gradual, em vez de movimentos mais abruptos. Para a casa a Selic deve encerrar 2026 em 13,75%.

Apesar disso, o cenário segue marcado por elevada incerteza externa, especialmente ligada a choques de oferta como o petróleo, o que justifica a cautela do Copom e a ausência de sinalização mais dura sobre o ritmo futuro de cortes.

Leitura ‘mais equilibrada’

Gonçalves também chamou atenção para o fato de o comitê não ter introduzido assimetria no balanço de riscos, mantendo uma leitura mais equilibrada entre pressões altistas e baixistas. Para ele, esse detalhe preserva o espaço para continuidade do ciclo de flexibilização.

Na leitura do Itaú BBA, o conjunto da comunicação aponta para um Banco Central cauteloso no discurso, mas com viés potencialmente mais expansionista na margem. Ainda assim, sem amarrar o próximo passo.

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“O comunicado deixa a porta aberta, mas não se compromete. Ainda assim, o desenho das simulações sugere espaço técnico para mais um corte”, avaliou.

Agora, o foco do mercado se volta para a ata da reunião, que deve detalhar melhor a mecânica da rolagem do horizonte relevante e o racional por trás da suavização dos impactos da política monetária. A leitura pode ser decisiva para calibrar as apostas sobre o ritmo de cortes à frente.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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