Itaú reduz projeções de câmbio, inflação e juros em 2026, mas mantém números para PIB
O Itaú Unibanco, em relatório de revisão de cenário macroeconômico, reduziu a projeção para o câmbio no final de 2026, de R$ 5,50 para R$ 5,40, devido ao cenário externo mais favorável. A estimativa vem ligeiramente abaixo da mediana do último Relatório Focus (R$ 5,45), divulgado na segunda-feira (23).
O banco pondera, no entanto, que o aumento esperado do prêmio de risco típico de períodos eleitorais ainda limita um cenário de apreciação mais significativa.
Para 2027, o Itaú também reduziu a estimativa para o câmbio, de R$ 5,70 para R$ 5,60.
Com a expectativa de um real mais apreciado, o banco cortou ainda a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, indicador oficial da inflação brasileira, de 4% para 3,8% — número menor do que o apontado pelo Focus (3,91%).
Segundo o Itaú, o alívio na inflação deve partir principalmente de alimentos e bens industriais, com o balanço de riscos assimétrico para baixo para este ano.
Para 2027, também houve uma redução na estimativa de 4% para 3,9%, ao incorporar a menor inércia inflacionária.
E os juros?
Influenciado pela ajuda do câmbio, o Banco Central (BC), de acordo com o Itaú, deve enxergar a inflação à frente mais próxima da meta de 3%. No cenário do banco, a Selic terminal deste ano passou de 12,75% para 12,25%, com a expectativa de um corte adicional de 0,50 ponto porcentual no juro básico.
“Ainda assim, mantemos a avaliação de um ciclo de flexibilização contido, uma vez que a desinflação permanece concentrada em itens comercializáveis (portanto mais dependentes da dinâmica cambial) e porque o mercado de trabalho segue resiliente, o que mantém risco de pressões inflacionárias”, ressaltou o time de macroeconomia do Itaú no relatório.
A estimativa segue ligeiramente acima da mediana do Focus, de Selic no fim de 2026 em 12,13%. Para 2027, o juro terminal também foi reduzido de 11,75% para 11,25%.
Atividade segue no radar
Já o Produto Interno Bruto (PIB) seguiu com crescimento projetado de 2,3% para 2025. A estimativa para este ano também foi mantida em 1,9%, número que tem viés de alta por medidas que podem trazer estímulo adicional à atividade.