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Itaúsa (ITSA4) pode ganhar ‘presente’ de R$ 8,7 bilhões, calcula Bradesco BBI; entenda

23 mar 2026, 15:28 - atualizado em 23 mar 2026, 15:38
Itaúsa
(Imagem: Itaúsa/Divulgação)

O Itaúsa (ITSA4) voltou a entrar no radar do mercado com uma série de boas notícias. Nos últimos meses, o papel sobe mais de 30%, surfando o bom momento do Itaú Unibanco (ITUB4), sua principal investida. Mas o bancão é apenas parte da história.

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Os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, do Bradesco BBI, elencaram três pontos que podem impulsionar a ação. O preço-alvo é de R$ 15,40, o que representa potencial de alta de 15% em relação ao fechamento da última sexta-feira (23), com recomendação de compra.

‘Entendemos que a Itaúsa continua oferecendo um perfil de retorno atraente, com dividend yield estimado de 9%, menor assimetria negativa e capacidade crescente de distribuição’, dizem.

Presente de R$ 8,7 bilhões

Um dos principais gatilhos é o fim da ineficiência tributária, aprovado na reforma tributária pelo Congresso no ano passado e com entrada em vigor prevista para o ano que vem.

Atualmente, a totalidade dos juros sobre capital próprio recebidos do Itaú sofre incidência de cerca de 9,25% de PIS/Cofins. Além disso, como a Itaúsa detém participação indireta no banco por meio da IUPAR (Itaú Unibanco Participações S.A.), há uma dupla incidência tributária — o que amplia essa ineficiência.

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Na prática, se o Itaú declarar R$ 1 mil em juros sobre capital próprio, a holding teria direito a R$ 372. No entanto, após os impostos, apenas R$ 323 são efetivamente recebidos — uma perda de R$ 49, equivalente a 13,2% do valor bruto.

‘Essa ineficiência ocorre porque a Itaúsa distribui os juros com base no valor bruto declarado pelo banco, enquanto absorve o ônus tributário em sua estrutura’, dizem os analistas.

Com a reforma tributária, os impostos deixarão de incidir sobre dividendos e lucros de subsidiárias, eliminando esse problema.

‘Assumindo um custo de capital próprio de 15,5%, crescimento de 6% e nossas projeções para 2027, estimamos um valor incremental de R$ 8,7 bilhões com o fim dessa ineficiência’, afirmam.

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Em teleconferência de resultados, Alfredo Setubal, CEO da Itaúsa, afirmou que a companhia calcula uma economia de R$ 850 milhões em despesas tributárias após a mudança.

‘Isso indica que, possivelmente, não precisaremos fazer nenhuma chamada de capital para amortizar a dívida — o próprio fluxo de caixa será suficiente. E, se os juros caírem, como esperamos, ainda deve sobrar recurso’, disse.

Outras empresas do grupo

É esperado também que as outras empresas do grupo, com Alpargatas (ALPA4) e Motiva (MOTV3), sejam ainda mais relevantes para a Itaúsa. Atualmente, a empresa utiliza os resultados das empresas fora do setor financeiro para cobrir despesas recorrentes da holding, principalmente:

  • despesas administrativas;
  • despesas tributárias;
  • despesas financeiras.

Com despesas administrativas em linha com a inflação e redução da alavancagem, as despesas financeiras deverão cair. O fim da tributação e a melhora operacional das investidas são a cereja do bolo. Ou seja, mais geração de caixa.

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Por outro lado, o setor não financeiro deve continuar apresentando desempenho positivo.

“A partir de 2027, esperamos expansão relevante do lucro e da geração de caixa, o que pode se traduzir em maior distribuição aos acionistas”, dizem os analistas

Na teleconferência, o CEO reforçou que os recursos adicionais poderão ser direcionados tanto para novos investimentos quanto para dividendos extras.

‘Normalmente, distribuímos o que recebemos do Itaú, mas, dependendo do cenário, podemos fazer pagamentos adicionais’, afirmou.

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IPO da Aegea no radar

Outro ponto que pode destravar valor é um possível IPO da Aegea.

Recentemente, a holding atualizou o valor justo da companhia para R$ 5,6 bilhões, ante R$ 2,4 bilhões anteriormente. Ou seja, seu valor mais que dobrou. A revisão considera um aumento de capital que precificou as ações a R$ 55,29.

Com isso, a Itaúsa elevou sua participação total na Aegea para 13,27%, ante 12,82%. A Aegea iniciou o processo para contratação de assessores financeiros e legais para uma possível oferta inicial de ações no final do ano passado.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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