Jalles (JALL3): Citi rebaixa ação, que recua 5% nesta quinta (29); analistas citam riscos para açúcar e etanol
A Jalles (JALL3) deve apresentar um desempenho mais fraco no terceiro trimestre da safra 2025/26, em meio à queda nos preços do açúcar e do etanol, segundo relatório do Citi. Diante desse cenário, o banco rebaixou a recomendação das ações da companhia de compra para neutra, mantendo o preço-alvo em R$ 3,50.
Por volta das 14h40 desta quinta-feira (29), o papel recuava 5,83%, em R$ 3,07.
Apesar da expectativa de resultados mais fracos no período, o Citi avalia que o impacto no desempenho anual da companhia tende a ser limitado. A divulgação dos números do terceiro trimestre da safra está prevista para 26 de fevereiro.
De acordo com os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, a Jalles Machado deve registrar receita líquida de R$ 516 milhões, Ebitda ajustado de R$ 325 milhões e prejuízo líquido de R$ 14 milhões no trimestre.
O banco atribui a piora anual principalmente à menor moagem de cana-de-açúcar na safra 2025/26, à redução nos volumes vendidos de açúcar e etanol e à queda nos preços do açúcar, movimento apenas parcialmente compensado por preços mais elevados do etanol.
O Citi ressalta, no entanto, que a companhia pode se beneficiar de efeitos positivos de marcação a mercado em seus hedges de açúcar, diante do recuo das cotações da commodity. Isso pode melhorar o resultado final acima das estimativas atuais.
O que explica a recomendação neutra para Jalles?
A decisão de rebaixar a recomendação também reflete a expectativa de geração de caixa livre pouco atrativa em um ambiente de preços mais pressionados para açúcar e etanol, além do fato de as ações da companhia, negociadas em torno de R$ 3,26, já estarem próximas do preço-alvo estipulado pelo banco.
Para a safra 2026/27, o Citi reduziu sua projeção de Ebitda ajustado para R$ 1,4 bilhão, incorporando uma estimativa menor de moagem, agora próxima de 8 milhões de toneladas de cana, e uma redução na participação do açúcar no mix de produção, projetada em cerca de 45%. Segundo os analistas, em um cenário de preços pressionados, a tendência é de maior direcionamento da produção para o etanol, que oferece benefícios fiscais mais relevantes.
O relatório também destaca riscos adicionais para as projeções, como a possibilidade de os preços do açúcar não se recuperarem no curto e médio prazos, diante do elevado ritmo de produção global e do aumento das exportações brasileiras. No mercado de etanol, a expectativa é de forte crescimento da oferta, tanto a partir da cana quanto do milho, em ritmo superior ao da demanda, o que pode resultar em excedentes, aumento dos estoques e pressão adicional sobre os preços.
Nesse contexto, o Citi passou a adotar uma visão negativa de curto prazo para as ações da Jalles, com horizonte de até 90 dias, sustentada principalmente pela expectativa de queda nos preços do etanol no mercado doméstico.
Como possível fator de risco positivo, o banco cita a eventual ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre, que poderia provocar seca em países asiáticos produtores de açúcar e, ao mesmo tempo, excesso de chuvas no Centro-Sul do Brasil, encurtando a safra e oferecendo suporte às cotações. Esse cenário, no entanto, ainda não foi incorporado às estimativas.
Diante desse conjunto de fatores, o Citi reforça a recomendação neutra para a Jalles, citando preços mais fracos de açúcar e etanol, geração de caixa limitada e a continuidade do plano de investimentos da companhia, que mira alcançar uma moagem próxima de 9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nos próximos anos.
*Com informações do Broadcast