Janeiro de 2026 expõe a exceção: apenas 20 ações caem entre 159 dos principais índices da B3
Janeiro de 2026 entrou para a estatística do mercado acionário brasileiro não apenas pela forte valorização dos índices, mas também por um dado menos ruidoso, e talvez mais revelador: a escassez de ações no campo negativo.
Um levantamento da Elos Ayta, considerando todas as ações que compõem as carteiras do Ibovespa, Small Caps e IDIV, mostra que, de um universo de 159 papéis, apenas 20 encerraram o mês com rentabilidade negativa. Em outras palavras, quase 90% das ações desses três índices subiram em janeiro, um retrato raro mesmo em ciclos positivos da Bolsa.
O contraste é ainda mais evidente quando se observa cada índice isoladamente. O Ibovespa, com 85 ações, registrou somente 10 papéis no vermelho. O Small Caps, tradicionalmente mais volátil, teve 17 quedas entre 112 ações. Já o IDIV, índice voltado a empresas pagadoras de dividendos, apresentou apenas seis ações com desempenho negativo em um total de 52 componentes.

Quedas pontuais, não sistêmicas
Mesmo entre as ações que caíram, o recorte ajuda a separar correções pontuais de movimentos estruturais. Apenas seis papéis da amostra tiveram perdas superiores a 10%, o que reforça a leitura de que janeiro não foi marcado por estresse generalizado, mas por ajustes concentrados em casos específicos.
A maior queda do mês ficou com a Gafisa (GFSA3), que recuou 18,69%, seguida por Vivara (VIVA3), com baixa de 15,22%, e Desktop Sigma (DESK3), que fechou janeiro com perda de 12,81%. Na sequência aparecem Oncoclínicas (ONCO3) e Hapvida (HAPV3), ambas do setor de serviços médico-hospitalares, além da Vulcabras (VULC3), que também figurou entre as perdas mais acentuadas.
Esse grupo concentra quedas relevantes, mas não compromete o desempenho agregado dos índices, seja pelo peso reduzido dessas ações nas carteiras, seja pela forte valorização do restante do mercado.
Energia elétrica e saúde concentram as quedas
Do ponto de vista setorial, o levantamento revela uma curiosa concentração. Energia elétrica e serviços médico-hospitalares lideram a lista de ações com desempenho negativo, com três empresas cada. Em seguida aparece o setor de incorporações, com duas ações. Outros 12 setores tiveram apenas uma empresa no campo negativo, reforçando o caráter pontual, e não sistêmico, das quedas observadas.
No caso do setor elétrico, a presença de nomes como Auren, CPFL Energia e Taesa sugere um mês de ajuste após desempenhos consistentes anteriores, em um ambiente de reprecificação de expectativas para juros e fluxo de dividendos. Já no segmento de saúde, os recuos refletem mais questões específicas de empresas do que uma deterioração do setor como um todo.
Um mercado amplo e saudável
O dado central de janeiro é menos sobre quem caiu e mais sobre quem não caiu. Ter apenas 20 ações negativas em um universo de 159 reforça a leitura de um mercado amplo, com alta disseminação dos ganhos, e não dependente de poucos papéis de grande peso.
Esse tipo de movimento costuma ser associado a momentos de confiança crescente, realocação de portfólio e maior apetite ao risco, especialmente quando até índices mais sensíveis, como o Small Caps, exibem maioria absoluta de altas.
Em síntese, janeiro de 2026 deixa uma mensagem clara: a exceção virou a queda. E quando a estatística aponta que o vermelho se torna residual, o mercado costuma estar dizendo algo mais profundo sobre ciclo, fluxo e percepção de valor.