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Juro dispara e Tesouro Direto suspende negociação de títulos

18/05/2018 - 11:08

Por Ângelo Pavini, da Arena do Pavini

A alta do dólar provocou a disparada dos juros nos mercados futuro e à vista, e levou o Tesouro Nacional a suspender as vendas de títulos no sistema do Tesouro Direto. A suspensão começou às 9h50 e deve ir até o meio-dia, quando então as taxas dos papéis devem se estabilizar e os negócios serão retomados. Toda vez que as taxas flutuam muito, o Tesouro Direto suspende as compras e vendas porque os preços para os pequenos investidores são os mesmos dos grandes, e se as taxas flutuam muito há risco de haver distorções no varejo.

Ontem, o Tesouro Direto já havia interrompido os negócios, por um período menor, das 14h45 às 15h30, por conta da instabilidade provocada pela surpresa com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que não cortou os juros em 0,25 ponto, para 6,25%, como o mercado esperava. Hoje, o movimento ainda tem um pouco de ajuste a essa surpresa, mas em grande parte é reflexo da alta do dólar, que já chegou a R$ 3,76 para venda no mercado comercial.

O impacto foi mais forte nos papéis mais curtos e nos prefixados, onde o risco é maior e o impacto do dólar tende a ser mais forte. As LTN, ou Tesouro Prefixado com vencimento em 2021 subiu de 8,52% ontem para 8,71% hoje, antes da suspensão. O papel para 2025 foi para 10,20% ao ano, ante 9,95% ontem.

Os juros dos papéis corrigidos pela inflação (NTN-B Principal, ou Tesouro IPCA+) saltaram nos prazos mais curtos, para 2024, de 4,77% ontem para 5% ao ano mais IPCA. Os de prazo mais longo, para 2035 e 2045, haviam subido antes da suspensão para 5,50%, ante 5,41% ao ano ontem, uma variação grande para um papel desse prazo e que terá impactos na rentabilidade dos títulos já em circulação. Como o juro sobe, os papéis antigos, com taxas mais baixas, perdem valor momentaneamente. Mas o investidor não precisa se preocupar, pois se não vender o papel agora, vai receber exatamente a rentabilidade contratada na compra. Se vender agora, oficializará o prejuízo.

O mesmo acontece com os fundos renda fixa, que compram papéis prefixados ou atrelados à inflação, e cujas cotas devem sofrer nos próximos dias. O investidor, porém, não deve se apavorar, pois os juros podem se ajustar um pouco e reduzir as perdas no curto ou médio prazo. Os fundos multimercados também devem sofrer, dependendo das apostas que fizeram na alta ou na baixa dos juros e do dólar.

Já os fundos DI e as aplicações atreladas aos juros diários tendem a ganhar com a alta dos juros futuros.

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Última atualização por Gustavo Kahil - 18/05/2018 - 11:08

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