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Juro do comércio é o menor desde 2015 e empréstimo pessoal fica mais caro, diz Anefac

15/11/2017 - 13:17

Por Sandra da Motta, da Arena do Pavini

Pessoas físicas e empresas voltaram a ter pequeno alívio nos juros cobrados em operações de crédito. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que as taxas em outubro registraram a 11ª queda consecutiva, puxadas por dois fatores: a redução da taxa básica Selic, promovida pelo Banco Central em sua última reunião, e a expectativa de que, com a redução da inflação, sejam feitos novos cortes nos juros.

Taxa média cai 0,02 ponto percentual

Na média geral para pessoas físicas, a taxa cobrada na ponta dos empréstimos recuou 0,02 ponto percentual, para 7,46% ao mês (137,12% ao ano) em outubro, contra 7,44% ao mês (136,59% ao ano) em setembro, ficando no menor patamar registrado pela pesquisa desde novembro de 2015.
Das seis linhas de crédito analisadas, quatro reduziram suas taxas no período (comércio, cartão de crédito, cheque especial e CDC-bancos financiamento de veículos). As outras duas modalidades (empréstimo pessoal de bancos e empréstimo pessoal de financeiras) elevaram suas taxas de juros no mês.

Empresas pagam 0,05 ponto menos ao ano

Das três linhas de crédito voltadas para pessoas jurídicas pesquisadas, todas reduziram suas taxas de juros no mês de outubro. A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou redução de 0,05 ponto percentual, passando de 4,36% ao mês (66,88% ao ano) em setembro para 4,31% ao mês (65,92% ao ano) no mês passado, a menor taxa desde dezembro de 2015.

Juros do Comércio: menor taxa desde dezembro de 2015

Os juros do comércio tiveram em outubro uma queda de 0,89%, passando de 5,61% ao mês (92,51% ao ano) em setembro/2017, para 5,56% ao mês (91,42% ao ano) em outubro/2017. Trata-se, segundo a Anefac, da menor taxa desde dezembro/2015, quando o comércio cobrava em média 5,50% ao mês ou 90,12% ao ano. Todos os segmentos de crediário de lojas reduziram suas taxas no mês.

Cartão de crédito: 12,84% ao mês

Nos cartões de crédito foi apurada redução de 0,39%, passando a taxa média de 12,89% ao mês (328,42% ao ano) em setembro/2017, para 12,84% ao mês (326,74% ao ano) em outubro/2017. A taxa deste mês é a menor desde junho/2015 (12,54% ao mês – 312,75% ao ano).

Cheque Especial: redução de 1,22%, para 12,18% ao mês

Houve redução de 1,22% no cheque especial, passando a taxa de 12,33% ao mês (303,60% ao ano) em setembro/2017, para 12,18% ao mês (297,18% ao ano) em outubro/2017, o patamar mais baixo desde agosto de 2017 (12,14% ao mês – 295,48% ao ano).

CDC/Bancos – Automóveis cai para 2,09% ao mês

Nas operações de Credito Direto ao Consumidor (CDC) dos bancos, também houve queda, de 0,96%. A taxa média passou de 2,09% ao mês (28,17% ao ano) em setembro/2017, para 2,07% ao mês (27,87% ao ano) em outubro/2017.

Empréstimos pessoais de bancos e financeiras ficam mais caros

O levantamento mostra ainda que houve uma elevação de 1,42% nos empréstimos pessoais de bancos, passando a taxa de juros de 4,22% ao mês (64,22% ao ano) em setembro/2017, para 4,28% ao mês (65,35% ao ano) em outubro/2017.

Nas financeiras, o empréstimo pessoal também ficou mais salgado. Houve uma elevação de 1,32%, passando a taxa de juros de 7,60% ao mês (140,85% ao ano) em setembro/2017, para 7,70% ao mês (143,55% ao ano) em outubro/2017. A taxa cobrada pelas financeiras foi a maior desde agosto de 2017, quando o consumidor pagava juros de 7,72% ao mês ou 144,09% ao ano.

Juros para empresas têm ligeiro recuo

Segundo a pesquisa da Anefac, nos empréstimos para pessoas jurídicas a maior queda foi registrada no Desconto de Duplicatas. Houve redução de 2,17%, passando a taxa de 2,76% ao mês (38,64% ao ano) em setembro/2017, para 2,70% ao mês (37,67% ao ano) em outubro/2017. Na modalidade Conta Garantida, a redução foi de 0,75%, passando a taxa de 7,98% ao mês (151,26% ao ano), para 7,92% ao mês (149,59% ao ano) em outubro.

Capital de giro cai para 2,30% ao mês
Ja nas operações de Capital de Giro, que ficam entre as mais demandadas pelas micro e pequenas empresas, houve redução de 1,71%. A taxa de juros média passou de 2,34% ao mês (31,99% ao ano) em setembro, para 2,30% ao mês (31,37% ao ano) em outubro/2017.

Descompasso entre Selic e operações de crédito

Segundo análise comparativa da Anefac, permanece o descompasso entre a trajetória da Selic e os juros cobrados de pessoas físicas e empresas.

Considerando todas as elevações e reduções da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central no período entre março/2013 e outubro/2017, registrou-se uma elevação da Selic de 0,25 ponto percentual (ou 3,45%), passando de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano em quatro anos.

Neste mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física passou de 87,97% ao ano em março/2013 para 136,59% ao ano em outubro/2017. Isso corresponde a uma elevação de 48,62 pontos percentuais ou 55,27%.

Já nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma elevação de 22,34 pontos percentuais (51,26%), de 43,58% ao ano em março/2013 para 65,92% ao ano em outubro/2017.

Cenário ainda exige cautela dos tomadores de crédito

O diretor-executivo da Anefac, Miguel de Oliveira, lembra que a partir de outubro do ano passado, o Banco Central começou a flexibilizar sua politica monetária com a redução da Selic. Ele explica que, tendo em vista a melhora das expectativas quanto à redução da inflação e a melhora fiscal, a perspectiva é de novas reduções da taxa básica de juros. “Isso reduz o custo de captação dos bancos, possibilitando novas reduções das taxas de juros nas operações de crédito”, completa.

Oliveira acrescenta, porém, que como o cenário econômico ainda é de desemprego elevado e economia desaquecida, “continuam os riscos de alta da inadimplência, o que aumenta, igualmente, o risco de novas elevações das taxas de juros na ponta dos empréstimos para empresas e pessoas físicas”.

Dicas para usar bem o crédito

Diante do atual cenário econômico e do fato de existirem expressivas variações entre as taxas de juros nas diversas instituições financeiras, a Anefac faz algumas recomendações:

· Quando da contratação de um financiamento pesquise sempre a taxa de juros e demais acréscimos;
· Evite comprometer demasiadamente seu orçamento com dívidas;
· Evite empréstimos de longo prazo que embutem custos maiores;
· Evite entrar no rotativo do cartão de crédito e do cheque especial que possuem as maiores taxas de juros;
· Lembre-se que o cheque especial não é renda e deve ser utilizado por um período curto e emergencial. Se tiver necessidade de usar este limite por um período maior, procure a sua instituição financeira e faça um empréstimo pessoal (que tem custos menores) para liquidar o cheque especial;
· Existem linhas de crédito mais baratas, como o microcrédito, que têm taxa de 2% ao mês; penhor de jóias da Caixa Econômica Federal e crédito consignado com desconto em folha. Assim, caso necessite de crédito, veja a possibilidade de conseguir empréstimos mais baratos.
· Necessitando de crédito para pagar uma dívida e não tendo condições de fazê-lo, não deixe suas dívidas crescerem mais por conta dos juros de mora e multas. Procure o credor de sua dívida e proponha uma renegociação do prazo e das taxas de juros em uma condição que consiga cumprir;
· Se possível adie suas compras para juntar o dinheiro e comprar o mesmo à vista evitando os juros. Caso não seja possível, pesquise muito, barganhe e compre nos menores prazos possíveis (quanto menor o prazo menor a incidência de juros).

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Última atualização por Gustavo Kahil - 15/11/2017 - 13:17

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