Economia

Juros altos pressionam crescimento econômico e abrem espaço para revisões no PIB de 2026

03 mar 2026, 11:31 - atualizado em 03 mar 2026, 11:31
Economia, Mercados, Selic, Copom, Donald Trump, EUA, China, Tarifas juros
(Imagem: Rmcarvalho/Getty Images/Canva)

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encerrou 2025 com sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica, reforçando a leitura de que os juros elevados produziram efeitos mais intensos sobre os setores mais sensíveis ao ciclo econômico.

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Na avaliação do mercado, o resultado do quarto trimestre do ano passado veio dentro do esperado, mas com uma composição considerada qualitativamente mais fraca, especialmente do lado da demanda doméstica.

Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o avanço de 0,1% na comparação trimestral e de 1,8% na base anual ficou alinhado às projeções da casa, mas revelou sinais de enfraquecimento relevantes. Segundo ele, a principal surpresa negativa foi o recuo de 0,7% da indústria, além da estagnação do consumo das famílias, que não respondeu ao mercado de trabalho ainda aquecido.

“O resultado sugere um impacto maior dos efeitos adversos da política monetária sobre os setores mais sensíveis ao ciclo econômico”, afirma o economista. Por outro lado, a agropecuária ajudou a evitar um desempenho pior ao crescer 0,5% no período, sustentada por safras e produção de proteínas em níveis recordes.

Na visão da Genial, embora o crescimento de 2,3% do PIB em 2025 seja positivo, o fim do ano deixa um ponto de atenção sobre a absorção doméstica privada que perdeu força. A fraqueza tanto do consumo quanto dos investimentos indica que a economia entra em 2026 com menor dinamismo, levando a casa a adotar viés baixista para o próximo ano, com projeção de expansão de 2,1%.

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A leitura é semelhante a da economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal. Para ela, o PIB do quarto trimestre confirmou a continuidade do processo de desaceleração da demanda doméstica privada, enquanto a demanda externa ajudou a compensar parcialmente o crescimento, além de um consumo do governo ligeiramente mais forte.

A casa colocou sua projeção de crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026 em xeque e avisou que irá revisar suas estimativas, mas, em um primeiro momento, não vê mudança relevante no que já está colocado.

Já Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que a desaceleração observada ao longo de 2025 reflete principalmente o impacto dos juros elevados sobre os investimentos e a indústria.

“Pelo lado da oferta, serviços e agropecuária seguiram resilientes, com altas de 0,8% e 0,5%, respectivamente, enquanto a indústria caiu 0,7%, pressionada especialmente pela construção e pela indústria de transformação”, observa.

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Do lado da demanda, o principal destaque positivo ficou com as exportações, que cresceram 3,7% mesmo diante de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, além do avanço de 1% no consumo da administração pública. Em contraste, os investimentos das empresas recuaram 3,5%, enquanto o consumo das famílias permaneceu estável.

Para Moreno, os números mostram uma economia que perde velocidade, mas sem sinais de retração abrupta. A atividade seguiu sustentada por setores menos sensíveis à política monetária, como agropecuária e indústria extrativa, além do impulso das exportações.

Mesmo com o início esperado do ciclo de cortes da Selic, a economista avalia que os juros ainda permanecerão em patamar elevado e continuarão limitando o ritmo da atividade. Ainda assim, fatores como estímulos fiscais e mercado de trabalho aquecido devem evitar uma desaceleração mais intensa. A projeção do C6 Bank é de crescimento de 1,7% do PIB em 2026 e também em 2027.

Vale destacar que nesta segunda-feira (2), a mediana das projeções do Boletim Focus – que reúne a estimativa de diversos economistas para os indicadores da economia brasileira – para o PIB em 2026 era de 1,82%.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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