Juros altos turbinam crédito privado e Itaú BBA vê janela de oportunidade em abril; veja em quais títulos investir
O ambiente de juros elevados voltou a colocar o crédito privado no radar dos investidores e, desta vez, com um ingrediente extra: prêmios mais generosos.
Em relatório de abril, o Itaú BBA destacou uma seleção de títulos incentivados que combinam taxas atrativas e benefício fiscal, em um momento em que o mercado exige mais retorno para assumir risco.
Entre os principais destaques estão papéis atrelados à inflação, que oferecem ganho real elevado:
- Rumo Malha Paulista (GASC23): IPCA + 7,9%
- JHSF: IPCA + 8,4%
Os níveis chamam atenção porque superam com folga os títulos públicos equivalentes, refletindo uma abertura relevante dos spreads de crédito nas últimas semanas.
Nos prefixados, o movimento é semelhante. As taxas avançaram e passaram a embutir prêmios mais elevados:
- Cosern: 12,75% ao ano
- Brasil Terrenos: 14,7%
- Neomille: 14,7%
Já entre os ativos atrelados ao CDI, há opções que superam o benchmark mesmo em um cenário de Selic elevada:
- Multiplan: 97% do CDI (114% com gross-up)
- Pacaembu: 102% do CDI (120% com gross-up)
O que mudou no jogo
A melhora nas taxas não veio por acaso. O mercado de renda fixa passou por uma reprecificação relevante em março, impulsionada por um cenário mais incerto para inflação e política monetária.
Com juros mais altos por mais tempo e aumento da aversão ao risco, investidores passaram a exigir retornos maiores para carregar ativos privados, o que se traduz diretamente em spreads mais amplos.
Na prática, é como se o mercado tivesse recalibrado o preço do risco já que ficou mais caro captar, mas também mais rentável investir.
Nem todo prêmio é oportunidade
Apesar do cenário mais convidativo, o Itaú BBA faz um alerta, já que o aumento das taxas exige mais disciplina na escolha dos ativos.
Isso porque o prêmio adicional está diretamente ligado ao risco de crédito, ou seja, não basta olhar apenas a taxa.
A recomendação do banco é priorizar emissores com fundamentos sólidos, boa geração de caixa e menor sensibilidade a ciclos econômicos, reduzindo o risco de surpresas negativas ao longo do caminho.