Juros futuros recuam mais de 40 pontos-base com trégua nos ataques dos EUA ao Irã
A curva de juros futuros brasileira encerrou a segunda-feira (23) em queda firma com uma eventual trégua no conflito no Irã
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,150% ante 14,420% do ajuste anterior. Mais cedo, a taxa bateu mínima a 14,135%, uma alta de 28 pontos-base.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, terminou o dia a 13,765% de 14,110% do fechamento anterior. Na mínima intradia, o DI caiu a 13,705%, queda de 40 pontos-base.
Já DI para janeiro de 2036, de longo prazo, encerrou a 13,880% ante 14,010% do fechamento da última sexta-feira (20), após bater cair 32 pontos-base, a 13,685%, na mínima intradia.
O movimento também acompanha o exterior. Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também operam em queda. O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – fechou a 3,852% de 3,894% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – ficou a 4,352% ante 4,292% da véspera.
Trégua temporária do conflito no Irã
Pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma ‘trégua’ de cinco dias nos ataques à infraestrutura. Segundo ele, Washington e Teerã tiveram, nos últimos dois dias, conversas “muito boas e produtivas” a respeito de uma resolução completa e total das hostilidades entre as partes no Oriente Médio.
“Com base no tempo e no tom dessas conversas profundas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas elétricas e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social.
Em entrevista à Fox Business Network, o chefe da Casa Branca ainda disse que o “Irã quer muito fazer um acordo e isso pode acontecer dentro de cinco dias ou menos”. Já para a CNBC, o presidente disse que os EUA “estão muito empenhados em fechar um acordo com o Irã”.
As declarações de Trump marcam o 24º dia de conflito no Irã, a quinta semana de tensões. Também foram consideradas pelo mercado como uma ‘trégua’ na escalada das tensões.
No último sábado (21), o presidente norte-americano havia ameaçado atacar usinas de energia iranianas em 48 horas se o Estreito de Ormuz — uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo e outros produtos energéticos — não fosse reaberto.
O Irã, por sua vez, afirmou que atacaria a infraestrutura dos EUA, incluindo instalações de energia e dessalinização na região do Golfo Pérsico, se os EUA cumprissem a ameaça.
Em reação, os preços do petróleo despencaram. Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para junho fecharam com recuo de 9,86%, a US$ 95,92 barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Selic mais alta no final do ano
Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) elevaram as projeções para a Selic passaram de 12,25% para 12,50% este ano, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira. Esse foi o primeiro relatório semanal após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em reduzir os juros para 14,75% ao ano.
Apesar da Selic terminal mais alta, o Focus aponta para um corte de 0,50 ponto percentual, o que levaria a taxa básica de juros de 14,75% para 14,25% na próxima reunião do Copom, em abril.
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A curva a termo, por sua vez, vem mostrando uma precificação majoritária de corte de apenas 25 pontos-base da Selic em abril, com investidores avaliando que a desancoragem das expectativas de inflação em função da guerra fará o BC ser mais cauteloso.
No comunicado de política monetária da semana passada, o BC voltou a citar um cenário marcado por “expectativas desancoradas” e “projeções de inflação elevadas”.
A inflação implícita nos títulos públicos brasileiros também revela a desancoragem de expectativas. Pela manhã, o relatório da Warren Rena mostrou que a inflação acumulada em 12 meses implícita nos títulos públicos com vencimento em agosto deste ano estava em 4,84%, bem acima dos 3,52% de um mês atrás, antes da guerra.
*Com informações de Reuters