Juros futuros despencam e fecham a 13% com alívio nas tensões geopolíticas
A curva de juros futuros fechou em forte queda com o cessa-fogo temporário no Oriente Médio e melhora no sentimento em relação ao choque inflacionário decorrente da escalada recente dos preços do petróleo.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 13,925%, ante 14,145% do ajuste anterior, uma queda de 22 pontos-base.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 13,345% ante 13,680% do fechamento anterior, um recuo de 33,5 pontos-base
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,600% ante 13,795% do fechamento da última terça-feira (7).
Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também registraram baixas.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,792% ante 3,833% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – caiu a 4,295% ante 4,343% do fechamento anterior.
Juros no Brasil e nos EUA
Com o cenário de ‘risk-on‘, a curva brasileira também passou a precificar um corte de 50 pontos-base na taxa básica de juros, a Selic, na próxima decisão do Banco Central neste mês. Hoje, a taxa está em 14,75% ao ano. Contudo, o corte de 25 pontos-base continua a ser a aposta majoritária.
De acordo com o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, a curva de juros precificava, pela manhã, 40% de chance de um corte de 50 pontos-base na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), no final de abril. A probabilidade de uma redução menor, de 25 pontos-base, era de 60%.
Ontem (7), a precificação era de 92% de probabilidade de corte de 25 pontos-base e de 8% para a manutenção da Selic a 14,75% ao ano.
Para o final de 2026, a curva reduziu a projeção da Selic de 13,70% ontem para 13,19% hoje.
Durante evento promovido pelo Bradesco BBI em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, fez menção ao forte movimento de retirada de prêmios da curva brasileira.
“Pareceu fácil ao Irã fechar o Estreito de Ormuz”, disse David. “Não tenho capacidade de dizer que isso está resolvido”, acrescentou, repetindo em diversos momentos que o nível de incerteza segue elevado.
Ao tratar da política monetária, David afirmou que o nível da taxa Selic tem hoje “mais gordura” do que tinha há seis meses, mas indicou que a guerra no Oriente Médio atua no sentido contrário a essa folga nos juros, ao promover um choque relevante nos preços.
Nos Estados Unidos, o cessar-fogo e a derrocada dos preços de petróleo também amenizam as preocupações sobre o impacto do conflito na inflação. Os contratos futuros do Brent, referência para o mercado global, recuaram mais de 13% e barril negociado a US$ 94,75.
Em reação, o mercado adiantou a precificação da retomada do início do afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 54,1% de chance de o Fed cortar os juros a partir de julho do próximo ano.
Na véspera, a aposta estava dividida entre setembro e outubro de 2027. Hoje, os juros norte-americanos estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Cessar-fogo no Oriente Médio
Os investidores reduziram os prêmios de risco geopolítico com o cessar-fogo no Oriente Médio e a expectativa de um acordo de paz definitivo entre EUA-Israel e Irã.
Na noite de ontem (7), os Estados Unidos e o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, suspendendo a guerra que começou em 28 de fevereiro.
Já nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o Irã confirmou que participará de conversas com os Estados Unidos na sexta-feira (10), em Islamabad.
Também no início da tarde de hoje, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, confirmou violações no acordo de cessar-fogo com ataques a duas ilhas iranianas, de Lavan e Siri. O autor dos ataques não foi mencionado.
*Com informações de Estadão Conteúdo