Juros futuros voltam a cair com desdobramentos de ‘trégua’ da guerra no Oriente Médio
A curva de juros futuros encerrou as negociações desta quinta-feira (9) em leve queda com o mercado acompanhando os desdobramentos do acordo de cessar-fogo no Oriente Médio.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou estável a 13,925%.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 13,300% ante 13,345% do fechamento anterior.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,595% ante 13,600% do fechamento da última quarta-feira (8).
Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também registraram baixas.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,779% ante 3,794% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – caiu a 4,283% ante 4,291% do fechamento anterior.
Juros no Brasil e nos EUA
Em um dia de forte volatilidade, a curva a termo manteve zerada as apostas de manutenção da Selic, em 14,75% ao ano, na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no final de abril.
Durante a tarde, a curva a termo precificava 76% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic no fim deste mês, contra 24% de chance de redução de 50 pontos-base.
Esses percentuais são semelhantes aos da véspera, mas diferem da precificação anterior ao cessar-fogo. Na terça-feira (7), antes do acordo entre EUA e Irã, a curva precificava 92% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, contra 8% de manutenção da Selic.
Nos Estados Unidos, o mercado reagiu a dados econômicos. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos, principal referência inflacionária para o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), subiu 0,4% em fevereiro, em linha com o esperado.
Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,4%. No comparativo anual, o índice subiu 2,8% e o núcleo 3% — acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano.
Na avaliação da Nomad, o dado não mostrou “grandes variações” dos preços dos combustíveis por ser anterior ao início do conflito no Oriente Médio. Por isso, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que será divulgado amanhã (10), tratá os números de março e tende a capturar o efeito inflacionário do Estreito de Ormuz.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, afirma que, mesmo anterior à guerra, o PCE já mostra que a inflação norte-americana segue “bem acima” da meta do Fed, de 2%, sem qualquer choque nos combustíveis.
Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA foi revisado para baixo e cresceu a uma taxa anualizada de 0,5% no quarto trimestre de 2025, de acordo com a estimativa final do Departamento de Comércio do país. Os analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal previam alta de 0,7% no período.
Em reação, o mercado manteve precificação da retomada do início do afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) apenas no começo do segundo semestre de 2027. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 55,3% de chance de o Fed cortar os juros a partir de julho do próximo ano.
Para a próxima decisão, no final do mês, a probabilidade é de 98,4% de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Apenas 1,6% dos agentes financeiros precificam uma alta de 0,25 pontos-base.
Cessar-fogo no Oriente Médio
Após ataques de Israel ao Líbano, que levantou dúvidas sobre a durabilidade do cessar-fogo firmado entre os Estados Unidos e o Irã na noite da última terça-feira (7), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país busca “iniciar negociações diretas com o Líbano o mais breve possível”, em comunicado.
Segundo NBC News, na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que Netanyahu reduzisse a intensidade dos ataques para ajudar a garantir o sucesso das negociações com o Irã.
O chefe da Casa Branca confirmou a ligação em entrevista por telefone à emissora. “Falei com Bibi [Netanyahu], e ele vai manter um perfil discreto. Acho que precisamos ser um pouco mais discretos”, disse Trump.
s líderes do Irã “falam de maneira muito diferente quando você está em uma reunião do que quando falam à imprensa. Eles são muito mais razoáveis”, acrescentou Trump. “Eles estão concordando com tudo o que precisam concordar. Lembrem-se: eles foram derrotados. Não têm forças militares”, concluiu.
A expectativa é de que as conversas entre Israel e o Líbano tenham início na próxima semana, nos EUA. Além disso, representantes dos EUA e do Irã devem se encontrar no sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão, para buscar um acordo de paz definitivo na região.
No final da tarde, o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou em um pronunciamento na TV estatal iraniana que o país persa levará a gestão do estratégico Estreito de Ormuz a uma nova fase.
“O Irã não está buscando a guerra, mas não abrirá mão de seus direitos e considera todas as frentes de resistência como uma entidade unificada”, acrescentou Khamenei.
O Estreito de Ormuz ainda não foi reaberto integralmente. À mediadores, o Irã informou que limitará o número de navios para cerca de 12 por dias e cobrará pedágios. Ontem, apenas cinco navios passaram pela via navegável, de acordo com a S&P Market Intelligence.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters