Mercados

Juros futuros fecham mais 30 pontos-base com intervenções do Tesouro

16 mar 2026, 18:45 - atualizado em 16 mar 2026, 18:47
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(Imagem: Shutterstock)

A curva de juros futuros brasileira fechou mais de 30 pontos-base em vários vencimentos após o Tesouro Nacional realizar duas intervenções no mercado com a recompra de títulos indexados à inflação e prefixados.

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A taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,070% ante 14,315% do ajuste anterior, uma queda de 25 pontos-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2030, de médio prazo, encerrou o dia a 13,655% de 14,080% do fechamento anterior, enquanto o DI para janeiro de 2036, de longo prazo, caiu a 13,740% ante 14,190% da última sexta-feira (13).

Pela manhã, o Tesouro anunciou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados a índices de preços (NTN-B) e títulos prefixados (LTN e NTN-F) programados para a terça e a quinta-feira desta semana, respectivamente, em nota. Já o leilão de títulos indexados à taxa básica Selic (LFT) programado para a terça-feira será mantido.

Além disso, o Tesouro anunciou que iria realizar, a partir desta segunda-feira, leilões de compra e venda de papéis para “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”.

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Ao longo do dia, foram duas intervenções. Na primeira delas, às 10h30 (horário de Brasília), o Tesouro recomprou 14,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 2,45 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F). Na segunda, às 15h30, recomprou 3,552 milhões de Notas do Tesouro Nacional–Série B (NTN-B) e vendeu simultaneamente 150 mil do mesmo título.

As intervenções foram realizadas para corrigir distorções na curva a termo brasileira em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio. “O leilão do Tesouro ajudou a fazer a curva de prefixados ceder, aí isso aparece nos DIs”, comentou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, chamando atenção também para o leilão de NTN-B. “A operação de compra e venda é para organizar as distorções na curva. E ajusta um pouco a estrutura de financiamento.”

O movimento de queda nas taxas de DI também acompanharam o enfraquecimento dos preços do petróleo e desempenho dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.

O rendimento (yield) do Treasury de 10 anos – referência global para decisões de investimento – fechou a 4,222%, ante 4,285% no fechamento anterior.

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À espera da Super Quarta

Além do cenário mais favorável no exterior, ainda que a guerra continue, as taxas cederam em sintonia com o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), que avançou 0,80% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal, menos do que a alta de 0,85% projetada por economistas ouvidos pela Reuters.

A movimentação das taxas acabou alterando a precificação para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Durante a tarde, a curva precificava 90% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima quarta-feira (18), contra 10% de chance de manutenção, segundo a analista Laís Costa, da Empiricus Research. Na tarde de sexta-feira, a curva mostrava 65% de chance de redução de 0,25 ponto percentual. A Selic está em 15% ao ano.

Enquanto os investidores ajustam posições na curva e em mercados correlatos antes do encontro do Copom, as instituições financeiras também refazem suas projeções para a Selic. Várias delas alteraram sua expectativa de 50 pontos-base para 25 pontos-base de corte e, nesta segunda-feira, algumas mudaram de 25 pontos-base para manutenção.

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Nos Estados Unidos, o mercado espera uma manutenção nos juros na próxima quarta. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 99,1% de chance de o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O início de cortes nos juros deve começar apenas em setembro.

*Com informações de Reuters

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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