Juros futuros caem até 50 pontos-base com derrocada dos preços de petróleo e mercado volta a precificar corte maior na Selic
A curva de juros futuros opera em queda em todos os vencimentos em reação ao cessar-fogo temporário no Oriente Médio e o retorno dos preços do barril de petróleo Brent para o nível abaixo de US$ 100.
Com o cenário de ‘risk-on‘, a curva brasileira também passou a precificar um corte de 50 pontos-base na taxa básica de juros, a Selic, na próxima decisão do Banco Central neste mês.
Contudo, a aposta majoritária segue de corte de 25 pontos-base. Hoje, a taxa está em 14,75% ao ano.
Por volta de 11h30 (horário de Brasília), a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, operava a 13,895%, ante 14,145% do ajuste anterior. Minutos antes, a taxa de DI tinha registrado mínima a 13,835%, queda de 31 pontos-base.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, caía a 13,315% ante 13,680% do fechamento anterior, no mesmo horário. Mais cedo, a taxa bateu mínima a 13,225%, queda de 47 pontos-base em relação ao ajuste da véspera.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, operava a 13,595% ante 13,795% do fechamento de da última terça-feira (7).
Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também registravam queda.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – operava a 3,767% ante 3,833% do ajuste anterior, no mesmo horário. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – caía a 4,273% ante 4,343% do fechamento anterior.
Juros no Brasil e nos EUA
De acordo com o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, a curva de juros precificava, pela manhã, 40% de chance de um corte de 50 pontos-base na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), no final de abril. A probabilidade de uma redução menor, de 25 pontos-base, era de 60%.
Ontem (7), a precificação era de 92% de probabilidade de corte de 25 pontos-base e de 8% para a manutenção da Selic a 14,75% ao ano.
Para o final de 2026, a curva reduziu a projeção da Selic de 13,70% ontem para 13,19% hoje.
Nos Estados Unidos, o cessar-fogo e a derrocada dos preços de petróleo também amenizam as preocupações sobre o impacto do conflito na inflação. Os contratos futuros do Brent, referência para o mercado global, têm queda de mais de 15% e barril negociado a US$ 92.
Em reação, o mercado adiantou a precificação da retomada do início do afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 54,8% de chance de o Fed cortar os juros a partir de junho do próximo ano.
Na véspera, a aposta estava dividida entre setembro e outubro de 2027. Hoje, os juros norte-americanos estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Cessar-fogo no Oriente Médio
Na noite de ontem (7), os Estados Unidos e o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, suspendendo uma guerra que começou em 28 de fevereiro.
“Concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas”, , disse o presidente norte-americano, Donald Trump, em um publicação na Truth Social. “Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela seja uma base viável para negociar.”
“Este será um CESSAR-FOGO de dupla face!”, Trump escreveu em sua plataforma Truth Social. “A razão para fazer isso é que já atingimos e excedemos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em relação a um acordo definitivo sobre a PAZ de longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio”, acrescentou.
Já nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o Irã confirmou que participará de conversas com os Estados Unidos na sexta-feira (10), em Islamabad.
O presidente Trump, por sua vez, disse que o país trabalhará em estreita colaboração com o Irã após o cessar-fogo de duas semanas, citando avanço nas negociações. Ele também afirmou que países que fornecerem armas a Teerã serão tarifados em 50% nas exportações aos EUA.
*Com informações de Estadão Conteúdo