Juros futuros recuam de olho em possível alívio nas tensões no Oriente Médio
A curva de juros futuros brasileira opera em queda nesta quarta-feira (4), após as taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) avançarem mais de 20 pontos-base em alguns vencimentos na véspera.
Por volta de 11h (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, operava a 13,40%, ante 13,45% do fechamento anterior. Já o DI para janeiro de 2031, de médio prazo, estava a 13,28%, ante 13,36% do ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subia a 13,53%, ante 13,61% da véspera.
O mercado opera na expectativa de um alívio nas tensões geopolíticas e uma trégua na disparada do petróleo Brent. Mais cedo, os contratos futuros do Brent chegaram a cair 1%.
- LEIA TAMBÉM: Petróleo dá trégua em disparada e passa a cair, com possível acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã
Ontem (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país vai fornecer seguros e garantias para a segurança financeira de todo o comércio marítimo, incluindo petroleiros, que viajam pela região do Golfo, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos.
Além disso, o mercado também precifica um eventual cessar-fogo. De acordo com o jornal norte-americano New York Times, agentes do Ministério da Inteligência iraniano entraram em contato indiretamente com o Centro de Inteligência dos EUA (CIA), oferecendo-se para discutir os termos para o fim do conflito, segundo autoridades a par da situação.
Vale lembrar que, no último sábado (28), os Estados Unidos, em conjunto com Israel, atacaram o Irã, com a confirmação da morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo país persa – sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do comércio mundial do óleo bruto.
Nos Estados Unidos, o rendimento (yield) do Título do Tesouro norte-americano de 10 anos – referência global para decisões de investimento – sobe a 4,079%, ante 4,057% no fechamento anterior.
De olho na Selic
Ontem (3), em meio à escalada global de aversão a risco em reação às crescentes tensões no Oriente Médio e à disparada dos preços do petróleo, os investidores locais elevaram as apostas em um corte menor na taxa básica de juros, a Selic, na próxima decisão de política monetária.
No final do pregão, a curva a termo precificava cerca de 50% de chance de corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) este mês e 50% de probabilidade de redução de o,25 p.p.. Antes do conflito no Irã, os percentuais estavam próximos de 80% de corte de 0,50 p.p. e de 20% para uma redução de menor magnitude.
Na última decisão, em janeiro, o Banco Central sinalizou que iniciaria o ciclo de afrouxamento monetário em março, e o mercado passou a precificar um corte de 0,50 p.p., o que reduziria a taxa de juros de 15% ao ano para 14,50% neste mês. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está prevista para os dias 17 e 18.