Internacional

Kim Jong Un diz que arsenal nuclear da Coreia do Norte é “irreversível” e ameaça Coreia do Sul

24 mar 2026, 9:08 - atualizado em 24 mar 2026, 9:08
Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un (Imagem: KCNA via REUTERS)

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, disse que seu país fortalecerá permanentemente suas forças nucleares e tratará a Coreia do Sul como seu estado mais hostil, ao definir as prioridades políticas em um discurso ao Parlamento, informou a mídia estatal KCNA nesta terça-feira (24).

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Kim disse que o status de Pyongyang como um estado com armas nucleares é irreversível e que a expansão de uma “dissuasão nuclear autodefensiva” é essencial para a segurança nacional, a estabilidade regional e o desenvolvimento econômico.

Ele rejeitou a ideia de que o desarmamento nuclear poderia ser trocado por benefícios econômicos ou garantias de segurança, dizendo que a Coreia do Norte já provou que manter as forças nucleares enquanto buscava o desenvolvimento é a escolha estratégica correta.

“A realidade mundial atual, em que a dignidade e os direitos dos Estados soberanos são impiedosamente violados pela força e violência unilaterais, ensina claramente qual é a verdadeira garantia da existência e da paz de um Estado”, disse Kim no discurso de segunda-feira à Assembleia Popular Suprema, o órgão legislativo do país comunista.

As armas nucleares impediram a guerra e permitiram que o Estado concentrasse recursos no crescimento econômico, na construção e nos padrões de vida, acrescentou.

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Analistas na Coreia do Sul disseram que os comentários equivaliam a uma crítica indireta à ação militar dos Estados Unidos contra o Irã.

“Essas circunstâncias reforçaram o argumento de longa data de Pyongyang de que as armas nucleares são essenciais para impedir a intervenção externa e garantir a sobrevivência do regime”, disse Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos da Coreia do Norte.

Kim acusou ainda os Estados Unidos e seus aliados de desestabilizarem a região ao instalarem recursos nucleares estratégicos perto da península coreana, mas disse que a Coreia do Norte não se via mais como um país ameaçado e que possuía o poder de ameaçar os outros, se necessário.

Kim disse que a Coreia do Sul foi “reconhecida como o Estado mais hostil” e advertiu Seul de que qualquer tentativa de infringir a soberania da Coreia do Norte será enfrentada “impiedosamente, sem hesitação ou restrição”.

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Os comentários são o sinal mais recente do endurecimento da postura de Pyongyang em relação a Seul, desde que Kim abandonou décadas de política que buscava a reunificação pacífica e passou a redefinir as relações com o Sul como sendo entre dois Estados hostis.

Os analistas estão atentos a qualquer sinal de que essa mudança tenha sido codificada em lei. O relato da mídia estatal não entrou em detalhes.

Lim Eul-chul, da Universidade de Kyungnam, disse que a linguagem “efetivamente retira da Coreia do Sul qualquer status remanescente de nação compatriota” e vai além da retórica passada que visava isolar Seul diplomaticamente.

Em vez disso, ela marcou uma “declaração negando a própria legitimidade da Coreia do Sul como contraparte”, disse ele.

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A Casa Azul, sede da Presidência da Coreia do Sul, disse nesta terça-feira que os comentários de Kim são “indesejáveis para a coexistência pacífica”, acrescentando que somente o diálogo e a cooperação podem garantir a segurança mútua e a prosperidade na península coreana, informou a agência de notícias Yonhap.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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