Líder português defende que EUA utilizem base na campanha contra Irã, em contraste com Espanha
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, defendeu sua decisão de permitir que os Estados Unidos utilizem a base aérea de Lajes, nas ilhas dos Açores, durante a campanha de bombardeios ao Irã, posição contrária à da vizinha Espanha, que recusou pedidos semelhantes.
Um acordo de longa data com os Estados Unidos permite que Washington utilize a base sem autorização prévia em tempo de paz, mas exige que Portugal dê sua aprovação em momentos de hostilidades.
Montenegro disse ao Parlamento nesta quarta-feira (4) que a utilização da base pelos norte-americanos está em conformidade com a legislação portuguesa e com os acordos selados com os EUA. A autorização foi concedida para fins defensivos, com base na necessidade e contra alvos militares, em conformidade com o direito internacional, afirmou.
“Portugal tem objetivamente uma relação próxima com o nosso aliado, os Estados Unidos”, disse Montenegro a parlamentares.
“O Irã violou repetidamente as normas internacionais com suas ambições nucleares e capacidades de mísseis de longo alcance”, disse, descrevendo o país como um Estado patrocinador do terrorismo internacional.
A posição de Portugal contrasta fortemente com a da Espanha, que irritou o presidente Donald Trump ao recusar a permissão para a utilização de suas bases. Montenegro não abordou diretamente a diferença entre os vizinhos, mas observou que Portugal foi um membro fundador da aliança da Otan em 1949, enquanto a Espanha só aderiu em 1982.
Para ele, o governo acredita que a diplomacia deve ser a prioridade, mas desde o início do conflito, o Irã atacou outros países que não haviam se envolvido anteriormente em nenhuma hostilidade.
O governo também vai implementar uma redução “extraordinária e temporária” do imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos para compensar qualquer aumento no preço do combustível acima de 0,10 euros (US$0,12) do preço desta semana devido ao conflito, acrescentou.