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Líderes da BRF e do Magazine Luiza mostram otimismo com recuperação da economia brasileira

09/09/2019 - 17:40
Frederico Trajano Magazine Luiza
Para Trajano, não está clara a estratégia do governo na área de exportações (Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker)

Por Investing.com

Apesar do ritmo ainda lento para o crescimento da economia brasileira, parte do empresariado brasileiro está otimista com a recuperação que começa a ser traçada com o avanço na aprovação das reformas no Congresso Nacional. O presidente do Conselho de Administração da BRF (BRFS3), Pedro Parente, chamou a atenção para números melhores divulgados recentemente, como o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) e a queda na taxa de desemprego.

“São sinais modestos, mais ainda são sinais. Tem uma parte consistente na área econômica, com a população indo às ruas para pedir a aprovação da Reforma da Previdência, que reduz direitos, mas é fundamental”, disse parente durante o Exame Fórum 2019, realizado nesta segunda-feira, em São Paulo.

Parente destaca ainda que está nas mãos do governo consolidar esses sinais e aumentar as intensidades. Para ele, existe a oportunidade única para conseguir esse salto no crescimento. Mas para isso, é necessário que o governo contribua em todas as frentes para favorecer um cenário positivo.

O CEO do Magazine Luiza (MGLU3), Frederico Trajano, mostra-se mais otimista que a média da economia brasileira. Ele avalia que nas crises anteriores, o ciclo de recuperação foi puxado pelo governo, com o protagonismo atual estando nas mãos do setor privado, prestando serviço para o setor privado.

“As empresas precisam levantar capital e estamos vendo muitas delas fazendo follow-on e abrindo capital. O exemplo das incorporadoras, setor que gera muitos empregos. É um processo que demora um pouco, são muitos trâmites dentro da empresa”, explicou o executivo que também participa do Exame Fórum 2019.

Trajano destaca que o Magazine Luiza está investindo em diversas frentes, com abertura de lojas, inovação, tecnologia e internet. “Quem está investindo agora são as empresas que vão conseguir aproveitar melhor o momento que a economia se recuperar de fato”.

Cena externa

Trajano entende que o movimento mostra um aumento da participação de grandes fundos nas empresas de capital aberto. Apesar disso, ele entende que o investidor estrangeiro, de forma geral, está mais preocupado com os problemas deles, mas que a economia local depende menos do exterior.

“Eu por exemplo, nunca vivi com juros de 5% ao ano. Tem muita gente que sai do rentismo para investir no que fará o país voltar a funcionar. Os follow-on estão sendo bem-sucedidos”, exemplifica o CEO do Magazine Luiza.

Parente também concorda que atualmente o Brasil não está no radar dos investidores estrangeiros, citando como exemplo a grande saída de recursos do exterior na bolsa local. No entanto, destaca que os grande fundos de private equity estão entusiasmados com o setor de empreendedorismo, com os jovens como protagonistas nos mercados.

Abertura comercial

O presidente do Conselho da BRF avalia que o país tem que dar igualdade de condições para competir. Segundo ele, o empresário no Brasil tem que fazer muita força para gerar emprego, renda e ser competitivo. Por isso, ele considera fundamental a reforma tributária.

Apesar disso, no caso específico da BRF, Parente destaca que isso não é uma grande preocupação, já que 50% da produção é exportada, com a empresa conseguido atuar de forma competitiva no exterior.

Já para Trajano, não está clara a estratégia do governo na área. Ele destaca que a China tem sido a protagonista de crescimento e que o Brasil está distante disso, precisado focar mais em outros mercados.

“A Europa está parada ou caindo um pouco. Boa parte dos nossos fornecedores são da Coreia ou da China. Talvez estejam focando muito nesses mercados tradicionais, quando podiam olhar para outros. A questão da guerra comercial está muito mais relacionada ao 5G da China, que é o único que está praticamente pronto para entrar em funcionamento”, conta o executivo.

Amazônia

Em relação na proteção ao meio ambiente, Trajano destaca que é fundamental essa preocupação para as companhias. No caso do Magazine Luiza, que está abrindo lojas no Mato Grosso e no Pará, é necessário ficar atento às questões do ambiente ao qual está presente.

“Sobrevoei a região de avião e vi dezenas de queimadas. É uma questão crítica e que cabe ao governo fiscalizar. O Magazine Luiza está buscando uma chancela de sustentabilidade, e por isso tem mapeado os fornecedores de móveis para saber a origem da madeira utilizada”, conta CEO da varejista.

Ele também informou que a empresa está realizando uma série de doações de equipamentos para ajudar na fiscalização do desmatamento.

No caso da BRF, Parente explica que a companhia atua com produtores integrados, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do país. O sistema trabalha pequenas empresas familiares. Desta forma, ele acredita que a empresa não deve ter problemas, a não ser que surja algum grande boicote a produtos brasileiros.

“Já tem muita área desmatada no país e não é preciso de mais para aumentar a produção de pecuária, que precisa ser menos extensiva e mais intensiva”, explica.

O evento

O EXAME Fórum 2019 acontece nesta segunda-feira em São Paulo, reunindo algumas das principais lideranças da política, da economia e dos negócios do país para debater como recuperar o foco no desenvolvimento.

Entre os temas que serão abordados durante o encontro estão os desafios da segurança pública, a renovação na política, as perspectivas econômicas, a recuperação dos estados e os próximos passos para o Brasil avançar.

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Última atualização por Diana Cheng - 09/09/2019 - 18:18