Lula diz que só dará agrément a embaixador após eleições e que tenta conversa com Trump
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira (14) que apenas dará o agrément, a permissão para exercício de chefia da diplomacia, ao indicado dos Estados Unidos para assumir a embaixada do País em Brasília após as eleições. Em entrevista a podcasts, o presidente sugeriu que o aceite a Daniel Perez pode resultar em interferência norte-americana nas eleições.
“Eles querem que eu, apressadamente, aceite o agrément do embaixador dele. Agora, só depois das eleições. Se o embaixador dos Estados Unidos é importante no Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá e querem mandar faltando 45 dias para as eleições?”, indagou Lula.
Conversa com Trump
O presidente disse também que está tentando manter contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula disse ainda que somente deseja uma relação de “seriedade” com o norte-americano.
Segundo o presidente, que não deu datas de uma nova conversa, ele falará a Trump que os Estados Unidos não devem interferir na economia e nas eleições brasileiras.
“Estou tentando falar com ele, manter um contato com ele, porque quero ter uma conversa tête-à-tête. Vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil, e sobretudo nas eleições. Se meter, vai perder, disse Lula.
O presidente voltou a questionar os motivos pelos quais o Brasil foi taxado pelos Estados Unidos e disse que Washington não vencerá através de “mentiras”.
Ao citar a sobretaxa de 12,5%, que atingiu o Brasil e outras dezenas de países por compra de produtos supostamente feitos por trabalho escravo, Lula disse que a medida de Trump pretende atacar os chineses.
“Com mentiras, ninguém ganha do Brasil. Vou vencer os EUA pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras. Agora, sobretaxaram o Brasil dizendo que compramos coisa de trabalho escravo de outros países. É um ataque à China, na verdade”, disse o líder brasileiro.
Lula voltou a dizer também que as sanções contra o Brasil não são feitas diretamente por Trump. Sem citar o secretário de Estado, Marco Rubio, o presidente afirmou que as medidas são feitas por “anti-latinoamericanos”.
Mais eleições e propostas
O presidente afirmou que um eventual quarto mandato terá o tópico da defesa da soberania nacional como prioridade. Segundo Lula, é preciso investir na defesa nacional, pois o globo está “muito nervoso”.
“Eu quero colocar a questão da soberania e da defesa nacional no top, porque o mundo está muito nervoso. Tem muita encrenca no mundo e o Brasil tem muitos minerais críticos e terras raras, o Brasil tem a maior reserva florestal do mundo e tem a maior reserva de água doce do mundo”, declarou o presidente.
Sobre minerais críticos, Lula voltou a dizer que o governo dele está investindo em estudos para que a exploração, produção e transformação dos produtos sejam feitos no Brasil.
Lula participou nesta sexta-feira de um podcast com influenciadoras dos programas Não Inviabilize e Cunhãs.