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Magazine Luiza (MGLU3) lucra R$ 124,7 milhões no 4T25; ‘Estamos crescendo em um mercado que não cresce’, diz gerente de RI

12 mar 2026, 19:10 - atualizado em 12 mar 2026, 19:10
magazine luiza
(Imagem: Divulgação/ Magazine Luiza)

O Magazine Luiza (MGLU3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 124,7 milhões no quarto trimestre de 2025, uma contração de 10,5% ante o mesmo período em 2024, mostra balanço divulgado ao mercado nesta quinta-feira (12).

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A cifra superou a expectativa de consenso da Bloomberg, que apontava para um lucro de R$ 30 milhões no período.

Nos doze meses de 2025, a varejista reportou lucro líquido ajustado de R$ 158,9 milhões, uma contração de 42,6% ante o ano de 2024.

O gerente de relações com investidores (RI) do Magalu, Lucas Ozorio, destaca que, ainda que com recuo, a varejista entrega mais um trimestre e mais um ano de lucro mesmo com os juros elevados, viabilizado pela consolidação do ecossistema do Magalu e pela postura de priorizar margens adotada pela companhia.

“É um resultado que mostra de novo o poder do nosso ecossistema. Algo que conseguimos construir nos últimos cinco anos”, disse em entrevista ao Money Times.

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Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que mede o desempenho operacional, totalizou R$ 867,3 milhões no quarto trimestre de 2025, uma alta 2,5% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada se manteve estável em 7,8% ante o mesmo período de 2024.

No ano de 2025 como um todo, o Ebitda ajustado cresceu 3,4%, chegando a R$ 3,06 bilhões, enquanto a margem Ebitda ajustada avançou apenas 0,1 ponto percentual, de 7,8% para 7,9%.

A receita bruta do Magalu chegou a R$ 13,8 bilhões no 4T25, um avanço de 3,3% no ano. Já a receita líquida cresceu 3,4% na mesma comparação, totalizando R$ 11,1 bilhões no período de outubro a dezembro de 2025.

No quarto trimestre de 2025, o Magazine Luiza registrou vendas totais, incluindo o marketplace, de R$ 18,2 bilhões, um recuo de 1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo do crescimento de 8,7% nas lojas físicas (crescimento no conceito mesmas lojas de 8,4%) e da redução de 5,3% no e-commerce total.

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As vendas do e-commerce totalizaram R$12,2 bilhões, com R$ 7,6 bilhões vindos do estoque próprio (1P). No marketplace (3P), as vendas foram de R$ 4,6 bilhões.

Ozorio destacou que o Magazine Luiza vem ganhando market share (participação de mercado) nas lojas físicas, enquanto o e-commerce lida com um cenário irracional de competitividade por tickets baixos.

“Se olhar o mercado de físico brasileiro de 2025, ele não cresceu, mas nós crescemos. O que isso quer dizer? Estamos melhor posicionados frente aos nossos concorrentes para que esse cliente consiga encontrar aquilo que esteja buscando e fazer sua compra”, afirma Ozorio.

Neste sentido, ele destaca o posicionamento do estoque, omnicanalidade, reforço de lojas, Luizacred e toda a integração do ecossistema, que contribui para o crescimento no físico.

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“Estamos crescendo em um mercado que não cresce, ou seja, ganhando muito market share. Para o online, o mercado está muito irracional em tickets baixos. Se você pegar tickets médios, altos, o Magalu cresce, inclusive acima do mercado, a gente continua ganhando market share em tickets médios altos.

De acordo com Ozorio, seguindo a estratégia de privilegiar margens para entregar lucro líquido com juros a 15%, os tickets baixos não foram impulsionados nessa “guerra do e-commerce”. De acordo com ele, a construção de melhoria no e-commerce preservará o aumento de rentabilidade.

O 4T25 do Magazine Luiza

No 4T25, o lucro bruto ajustado atingiu R$ 3,3 bilhões, um crescimento de 3,1%. A margem bruta ajustada foi de 30,0%, estável em relação ao 4T24. “Vale ressaltar o aumento da margem bruta de mercadorias, que reflete o foco da companhia no aumento da rentabilidade”, diz o Magazine Luiza.

No período, as despesas financeiras líquidas totalizaram R$ 572,5 milhões, equivalentes a 5,1% da receita líquida.

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Em relação ao mesmo período do ano anterior, as despesas aumentaram 1,5 ponto percentual, o que o Magazine Luiza atribui, principalmente, ao aumento da taxa de juros, que subiu de 10,75% no início do 4T24 para 15,0% no 4T25.

Desconsiderando os efeitos dos juros de arrendamento mercantil, a despesa financeira líquida foi de R$ 483,8 milhões no 4T25, equivalente a 4,3% da receita líquida. No ano de 2025, a despesa financeira líquida foi de R$ 2 bilhões, representando 5,3% da receita líquida.

O gerente de RI afirma a que a companhia está fazendo o dever de casa para lidar com a linha de despesa financeira e que há otimismo em relação ao ciclo de corte de juros.

“Além de estarmos otimistas pro ano com redução de juros, que vai melhorar muito essa linha, também estamos fazendo o dever de casa, de tentar aumentar o Pix, tentar aumentar o CDC, diversificar essas fontes de Magalog, Magalupay, Ads também que diversifica um pouco essa dependência do dos juros”, afirma.

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No trimestre, a geração de caixa operacional foi de R$ 2,2 bilhões, totalizando R$ 2,7 bilhões em 2025. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo resultado operacional e pela melhora no capital de giro.

O Magalu encerrou o 4T25 com uma posição de caixa líquido ajustado de R$ 3,1 bilhões, e uma posição de caixa total de R$ 8 bilhões.

No MagaluPay, o volume total de transações processadas (TPV) atingiu R$28,2 bilhões no 4T25 e R$101,9 bilhões
em 2025.

Em dezembro de 2025, a base de cartões de crédito foi de 5,7 milhões de cartões. O faturamento dos cartões Luiza
cresceu 1,9% no 4T25, atingindo R$16,6 bilhões no período.

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A expectativa com a queda da Selic

O início do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) é aguardado para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá em 18 de março.

Ozorio recorda que ciclos de juros é algo comum para o varejo e, justamente por isso, o Magalu traçou a trajetória de criação do ecossistema para diversificar receitas, pontos de lucratividade e reduzir a ciclicidade dos juros.

“O Magalu entregou o lucro líquido na última linha nos últimos anos, algo que se você pensar cinco anos atrás seria quase impossível conseguimos fazer. Mas o Frederico Trajano (CEO do Magalu) conseguiu trazer esse ecossistema”, afirma o gerente de RI.

A trajetória dos juros e seus ciclos não é algo que está no controle do Magazine Luiza e, de acordo com Ozorio, a companhia optou por focar nos fatores internos, mantendo a diversificação de receita. No entanto, naturalmente um ciclo de queda dos juros beneficia a companhia e Ozorio destaca três frentes nesse sentido.

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“O primeiro são as despesas financeiras. De um dia com o outro, você já sente esse impacto devido a redução do CDI. Segundo, as vendas, que não é instantâneo, mas ao longo do ciclo de redução de juros, na qual os clientes compram mais pelo aumento do poder aquisitivo. E o terceiro é a Luizacred e o CDC, que você consegue parcelar melhor para esse cliente, fazendo com que ele volte e compre mais e ainda assim sendo lucrativo com a financeira”

Nova fase no Magalu

O Magalu encerrou o ciclo de cinco anos que focou na criação desse ecossistema. Apesar da continuidade dessa construção, agora a companhia foca em Inteligência Artificial (IA) para potencializar os resultados, operação e contato com o consumidor.

A varejista não abre valores exatos de investimento do novo ciclo, no entanto, Lucas Ozorio pontuou que deve permanecer em linha com o que a companhia vem fazendo até então.

Está no radar da varejista estender o conceito da Galeria Magalu, inaugurada no final de 2025, para outras lojas. Localizada no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, a loja reúne o Magalu, a Netshoes, a KaBuM!, Época Cosméticos e Estante Virtual, todas partes do ecossistema, em um só lugar.

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A companhia vê potencial de extensão para cerca de 50 lojas, embora isso deva ocorrer aos poucos e com acompanhamento de desempenho, conforme o diretor de RI do Magalu.

Em um ano com expectativa de redução dos juros, Copa do Mundo aliado a um maior poder de consumo, o tom da varejista é otimista para o início da nova fase.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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