Magazine Luiza (MGLU3) salta até 24% em dia de trade eleitoral e após parceria com Mercado Livre
As ações da Magazine Luiza (MGLU3) operam entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (2) com uma combinação de ventos favoráveis: anúncio da parceria com o Mercado Livre (MELI34) e forte alívio na curva de juros futuros com o mercado precificando as eleições de outubro.
Por volta de 12h (horário de Brasília), MGLU3 subia 23,59%, a R$ 5,71, figurando como a maior alta do principal índice da bolsa brasileira. Minutos antes, a ação bateu máxima intradia com salto de 24,03% (R$ 5,73).
Mais cedo, o Magazine Luiza anunciou que irá oferecer produtos de estoque próprio (1P) das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos dentro da plataforma de marketplace do Mercado Livre.
Além disso, os papéis da varejista se beneficiam do alívio na curva de juros. As taxas de Depósito Interfinanceiros (DIs) de médio e longo prazos recuam mais de 16 pontos-base nesta sessão, em reação à pesquisa Quaest de intenção de votos para a Presidência da República.
Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu a vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno – com o petista com 42% dos votos contra 41% do senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na visão de Marcos Praça, analista da ZERO Markets Brasil, a pesquisa mostra um páreo “duro” no segundo turno entre Lula e Flávio, “o que animou os mercados com os dois candidatos com chances de vitória”, apesar dos ruídos do Caso Master e o Supremo Tribunal Federal (STF). “É o trade eleitoral já batendo na porta e fazendo preço”, afirma Praça.
Paulo Silva, co-fundador da consultoria Advisory 360, avalia que, na leitura dos investidores, aumentou a probabilidade de uma mudança na condução da política econômica a partir de 2027, especialmente em relação ao equilíbrio fiscal e à trajetória da dívida pública.
“Esse movimento apareceu no recuo dos juros futuros, indicando uma redução momentânea do prêmio de risco exigido para os ativos brasileiros. Empresas mais sensíveis ao ambiente doméstico e ao risco político acabam respondendo com mais intensidade a essa percepção”, afirma Silva.
Na mesma linha, Marcos Bassani, especialista de investimentos e sócio-fundado da Boa Brasil Capital, afirma que a redução da margem de Flávio frente a Lula aumenta a especulação de reforma fiscal em um eventual governo no senador. “Isso contribui posicivamente para, no futuro, termos uma redução na Selic, o que ajuda empresas a aumentarem as margens de lucro.”
Magalu + Meli: Parceria é positiva?
Na avaliação do Safra, a parceria é um ‘ganha-ganha’ para as duas companhias, sendo, porém, mais vantajosa para Magazine Luiza.
Para a varejista, a parceria dá acesso a uma plataforma com aproximadamente 37% de participação no mercado de e-commerce no Brasil e 35% das visitas aos marketplaces, sustentando vendas incrementais com canibalização limitada.
Já para o Meli, o acordo fortalece seu sortimento em eletrodomésticos de grande porte e móveis, categorias nas quais sua penetração e suas capacidades logísticas ainda permanecem comparativamente menores.
Nas contas do banco, a parceria pode gerar cerca de R$ 3 bilhões em volume de vendas bruto (GMV, na sigla em inglês) anualizado adicional para a Magalu, o que representaria um incremento de aproximadamente 10% no crescimento, ante a projeção anterior de 4% do banco.
Os analistas ainda destacam que a economia da operação também deve ser mais atrativa do que a das vendas 1P médias da Magazine Luiza, enquanto o perfil de capital de giro deve melhorar, uma vez que o Mercado Livre fornecerá o financiamento aos clientes.
Apesar da visão otimista para a operação, o Safra mantém a recomendação neutra para MGLU3, com preço-alvo de R$ 6 nos próximos 12 meses, o que implica em um potencial de valorização de 30% sobre o preço de fechamento anterior.
O JP Morgan, que também considerou o anúncio positivo, avalia que a parceria amplia o alcance da companhia para uma base de consumidores que, aparentemente, não frequenta seu ecossistema.
O banco ainda destaca que a parceria ocorre em um momento em que Mercado Livre e Magazine Luiza podem capturar o espaço deixado pela Casas Bahia (BHIA3) no segmento de bens duráveis, em meio ao seu processo de recuperação judicial.